Humor, ironia
Não, amigo, eu não sou um bígamo. Nossas duas Shih Tzus, Isabel (Bebel) e Heloísa (Helô), chegaram. Agora posso dormir com mais segurança do que o Maduro.
Acho que a nossa veterinária pensa que estamos criando dois hipopótamos, pois nunca vi coisas tão pequeninas gastarem tanto. E veja, amigo, outubro ainda nem acabou e eu já estou vendo o que corto da nossa alimentação para subsidiar as vacinas, os fortificantes e os tapetinhos para o xixi que elas teimam em não usar. Penso até em eu mesmo aproveitar esses tapetes, pois não sou de desperdiçar nada.
Mas são lindas, são. Era o mínimo que elas tinham que ser. Só me faltava ter que fazer uma harmonização nelas. Minha mulher e minhas filhas estão adorando. Passam o dia limpando caquinha e pesando a comida, que, pelo preço, deve ser de um cozinheiro Michelin. Pode servir até quatro refeições por dia. Gostou ou quer mais? E, como são duas, o processo de pesagem se repete oito vezes, além das inúmeras trocas de água, naturalmente em um bebedouro cinco estrelas.
E você, meu brilhante escritor, fica só olhando? — pergunta o amigo leitor.
— Quem dera. Eu fico no apoio e nas orações para que elas durmam logo.
E a melhor parte é que minha filha resolveu lavar o bumbum delas a cada cocô. Passa um lenço umedecido, um produto próprio e enxuga com discos de algodão. Eu acho que, se o meu furico tivesse tido um tratamento desses, eu emplacaria 120 anos fácil, fácil.
O interessante é que, embora “irmãs”, Isabel come bem menos do que Helô, que aproveita e come a sobra dela. De vez em quando, rola uma treta entre elas e a porrada come no centro. Deveria ter comprado um tatame no lugar das caminhas king size.
Naturalmente, a nossa rotina mudou bastante. Coisas que eu nem sonhava em fazer, hoje estou fazendo. Por exemplo: urinei no assento do vaso e não fui trucidado. Nem podia. As “meninas” fazem xixi em qualquer canto e ainda ficam sapateando na poça. Quando acertam o local, são ovacionadas com gritos de apoio e aplausos. E eu, que durante toda a minha vida nunca errei a pontaria, nem umas tapinhas nas costas recebo, quanto mais parabéns.
Elas dormem muito durante o dia. À noite, comem o pé da nossa cama e brincam à vontade. Já eu e minha mulher estamos dormindo de fones de ouvido, escutando Malafaia, que, devido ao caos, parece um coral de querubins.
Elas trouxeram alegria para o nosso lar, trouxeram. Mas, a esse preço, teriam que trazer o Renato Albani também. Contudo, é só uma fase. Logo elas estarão nos fazendo companhia e a vida voltará ao normal, com mais cocô, é verdade, mas com um amor incondicional que não tem preço.