Humor, ironia
Eu achei muito bom. Prestei atenção do mesmo jeito que prestava quando, no colégio, um grupo apresentava um trabalho. Atenção zero. Nada me faria mudar de ideia, nem com “merenda” grátis.
Por princípios, só ouvi um dos candidatos. Quando o filho de Gepeto aparecia, eu tirava o som. Não suporto escutar aquela vozinha irritante. Não sei bem, mas parece que ele estava preocupado, como se a Robertinha fosse se materializar no palco e descer elogios a seu respeito.
A direção do evento deve ter se arrependido da hora em que nasceu quando permitiu que os dois astros da noite ficassem perambulando de lá para cá. O ancião já estava tonto, pois queria ficar paradinho, sentado e tomando água. O Flávio, fungando no cangote dele, não parava quieto, parecia ter um “frivião” na cueca.
E a diferença entre eles era como uma Ferrari e um DKW-Vemag.
Uma das melhores partes foi quando, em pleno palco do Auditório João Jorge Saad, ocorreu uma declaração de paternidade sem necessidade de exame de DNA.
— O “fulaninho” é meu filho.
Afirmou categoricamente aquele que tomou a vacina paga pelo pai do seu oponente. Veja, meu amigo, que ironia do destino! Se ele pudesse prever o futuro, teria dado um comprimido de ivermectina ou um respirador fantasma da Bahia.
Outra parte hilária foi quando um fazia uma pergunta ao outro e este respondia mandando uma pergunta de volta. Parecia que estavam fazendo palavras cruzadas, nos níveis Desafio ou Expert. Iam pulando até achar alguma pergunta que soubessem responder. Ou que pudessem...
Chamou minha atenção quando um dos candidatos aparecia por trás do outro fazendo munganga. Pensei que era alguma brincadeira de mímica, mas não, era somente para sacanear o outro.
E a plateia foi um show à parte. Só faltou alguém soltar um bufa daqueles que fazem os olhos lacrimejarem. Pois espirro sonorizado teve, contudo foi melhor do que palavras assassinando o português.
Pobre língua portuguesa, assassinada por uma das partes, que ficou no singular o tempo todo, parecendo um Fiat 147 sem entrar a segunda marcha. Mas antes só do que mal acompanhado.
E o show foi chegando ao fim e, claro, cada parte afirmando que tinha se saído melhor. Um deles reclamou do nível do debate, como se fosse uma sumidade intelectual, sem lembrar que não sabe nem falar tríplex...
Agora vamos esperar o próximo show, que promete engolidor de facas, pois de picanha não encontraram ninguém. A oposição vai de camisetas com a foto da Roberta de um lado e do “Fulaninho” do outro.
Dessa vez, vai ser proibido ficar de bobeira com o celular nas mãos, pois elas são feitas para aplaudir. Afinal, vocês estão sendo remunerados para isso.