Humor, ironia
Estou na sala de espera de um hospital aguardando minha mulher, que foi fazer uma endoscopia. Ela entrou em uma tal de “sala de preparo” que, pelo tempo de espera, acho que estavam preparando ela para um casamento — com direito a véu, grinalda e cauda longa.
Por mais que eu quisesse descontrair, não conseguia. Fiquei procurando, nos rostos dos outros acompanhantes, fisionomias que me revelassem o grau de preocupação de cada um. Não é segredo para ninguém o pavor que tenho de médico, então fico sempre sobressaltado com tudo.
Parecia até que, a qualquer momento, iriam roubar meu celular ou alguém iria me pedir dinheiro emprestado.
Depois de um tempo de espera, tudo terminou e, graças a Deus, ela ficou muito bem! A recomendação médica foi simples: nada de bebida com gás no dia e, na manhã seguinte, vida normal.
Já eram umas 16 horas quando voltamos. Eu dirigindo, e logo os primeiros sintomas da “normalidade” dela voltaram:
— Devagar... Ligue a setinha...
E, para provar de vez que o efeito da anestesia tinha pegado o beco, ela olhou para mim e falou:
— Amor, estou com fome. Vamos ao Mangai, quero comer cuscuz.
Veja que mulher econômica: depois de um regime severo de 24 horas, tudo o que ela desejava era um cuscuz!