Humor, ironia
Um Mochileiro no Shopping
Ontem eu passei a tarde no Natal Shopping.
— Batendo pernas, Luciano?
Pergunta o amigo e eu, por educação, vou te responder... ou de sete meses.
Eu passei a tarde no Café da Bauducco. Escrevo, coloco meu site em ordem. Essas coisas que desocupado faz.
Mas, antes de ir para o café, entrei na Lupo para comprar umas meias curtas que estava precisando. Pela proximidade do Dia dos Pais, você vai até imaginar a cara da vendedora. Ela deve ter pensado:
— Nossa, um velho desse ainda tem pai?
Então, para tirar qualquer dúvida, levantei a barra da calça e mostrei o tipo de meia que eu queria. E, para evitar qualquer assédio, ainda falei:
— Essa foi minha mulher que me deu. Ainda tenho uma cinza e uma branca que eu não uso. Já fiz primeira comunhão há muito tempo.
Quanto à cafeteria, eu não fico sem consumir. Claro que escrever é só um pretexto para degustar uma quiche de palmito, pois escrever essas merdas que eu crio até no metrô de São Paulo, e de pé, eu posso fazer.
É uma experiência nova. Até mochila eu tenho. Porém, não coloco nas costas. Vai lá que, ao tirar, eu dê um jeito na coluna, hein? Nela tem de um tudo. De fazer inveja a qualquer mochileiro. Parece que estou voltando do Paraguai.
E lá vou eu, escada rolante puxando, eu e a mochila e mais ninguém. O shopping estava tão vazio que poderia servir de cativeiro de sequestrado. Contudo, esse brilhante cronista que vos fala passou a tarde colocando e guardando os materiais. A cada instante vinha a vontade de mudar de lugar.
— Luciano, e um sorvetinho?
E lá ia eu. Contudo, não dá para escrever e tomar um gelatto. Quem passar vai pensar que estou escrevendo um livro infantil. Então aborto a ideia de escrever. Claro. Olho as horas e passaram quarenta e cinco minutos. Já comprei meias, tomei café e sorvete e não escrevi nenhuma linha.
Sim, ia esquecendo. Sujei a camisa de sorvete. Sorte que tenho uma toalhinha na mochila. Então volto à Bauducco e consigo organizar meus dois livros disponíveis no Hotmart, que mostrarei ao amigo quando receber um exemplar.
O relógio já mostra que são dezoito horas. Para os antigos, hora do Ângelo. Tenho que ir ou perderei a sopa.
Bom, é isso por hoje. Com certeza vou fazer mais vezes esse programa. Afinal, é o único lugar onde eu tenho para usar mochila.