Humor, ironia
Verdadeira História do Titanic
Tudo caminhava bem até o capitão do Titanic resolver dormir.
— Bem, vou me recolher. Me chamem se alguma coisa acontecer.
Deixou o Vampeta no timão e escalou dois desafetos para ficarem de vigia numa cestinha, no alto de um mastro, sob um vento congelante.
— Capitão, não temos nem binóculos?
E o oficial, com aquele ar de superioridade característico dos ingleses, respondeu:
— Carece não. Quatro buticos de olhos desses não é possível que não vejam uma montanha de gelo maior que a roda-gigante do Parque São Luís.
Como ordem era pra ser cumprida, os dois marinheiros, sem enxergar um palmo à frente, tentaram achar o tal mastro.
— Deve ser desse lado. Ou será que é do lado da âncora? Vamos nos guiar pelas estrelas. O mastro fica pro lado de qual estrela?
— Sei não. Parece que é pra popa.
— Eu perguntei qual estrela, não o fundo do navio.
— Liga a lanterna.
— Tá ligada. Liga a sua.
— Esqueci na sala de comando.
— Vamos buscar?
— Pra que lado ficava a sala de comando?
— Ficava perto do mastro.
Quinze minutos depois, um enorme iceberg colidiu com o navio.
— Pronto, agora reiou tudo. Bateu! Será que amassou muito ou foi só uma coisinha?
— Vamos subir pra ponte de comando.
— Tá louco? Lembra que a gente era quem devia avisar da aproximação do gelo. Lembra?
— Vai cair nas minhas costas, que sou mole.
— Isso deve ter seguro. A gente fala que tentou avisar, mas o frio congelou o badalo do sino.
O comandante assumiu seu posto.
— E os vigias? Não avisaram?
— Eles ainda não tinham descido do cesto.
Nesse momento, os vigias adentraram a sala de comando, enquanto o comandante dava as primeiras ordens.
- Fechem todas as portas.
- Até as dos banheiros, pergunta o primeiro oficial.
- Tudo. Quem cagou, cagou. Quem não cagou faz no mar.
Vocês dois vão na sala de rádio e diga para mandarem um SOS. E depois vão lá embaixo verificar o casco. Entenderam?
- Sim, Senhor.
E os dois ex vigias e agora auditor de catástrofe parte direto para sala de rádio.
- O comandante ordenou que o Senhor mande um AAS urgente, pois agora estamos indo vistoriar o casco da embarcação. Por falar nisso, seria possível nos disponibilizar algum balde?
Nos porões do Titanic.
- Nossa, tá um breu. Trousse a lanterna?
- Não. E você?
- Não. Também tudo sou eu que tenho que lembrar.
- Vigi, senti como se estivesse rachando. Aquele barulho seco. Ferro com ferro. E você, por que tá mergulhando? Perdeu a aliança foi?
- É muita água, parece o gargalheiras.
- Será que vão ligar as bombas?
- Acho que sim. Ainda bem que não estamos lá. Assim ia sobrar pra gente.
- Você acha que a gente aguenta quando tempo boiando?
- Eu garanto uns 20 minutos.
- E debaixo d’água?
- Eita, voltei a fumar. Devo aguentar uns 2 minutos.
- O comandante devia ter mandado um SOS. Mas, não, só pensa nele.
- Será que o socorro chega antes da água bater no teto?
- Não sei, mas queria que chegasse depois que esses músicos morressem. Uma situação delicada dessas e eles tocando o tico-tico no fubá.
- Ei, fique falando pra eu saber que você ainda tá boiando.
- Eu só mergulhei. Consegui uns 4 minutos.
- Acho que não estou sentindo os meus dedos.
- Qual deles?
- Todos.
- Tá coçando onde?
- Em canto nenhum. Acho que de quente no meu corpo só minha língua.
- Se você virar um bloco de gelo, flutua ou afunda?
- Não quero pensar nisso.
- Ouvi um barulho como se fosse um navio chegando.
- Acho que não. Parece mais uma chaminé caindo,
- Falta muito?
- Pro socorro chegar?
- Não, prá gente chegar ai teto,
- Acho que uns 15 minutos.
- Graças a Deus
- Você lembra se fechamos o armário?
- O meu eu fechei, mas você não fechou o seu.
- Será que vão roubar minha loção após barba?
- Por falar em barba, hoje eu nem fiz. O lerdo do Comandante nem notou.
- Que barulho foi esse?
- Acho que é o navio se partindo ao meio?
- Tem jeito?
- Acho que tem. Tem jeito pra tudo, menos pra morte.
- É mesmo.