Humor, ironia
Quem viu, há poucos meses, os presidentes do Brasil e da França passeando de mãos dadas na Amazônia não imagina que, nos anos 60, os dois países quase entraram em guerra.
O motivo chega a ser cômico. Por causa da lagosta na costa de Pernambuco. Isso mesmo que você leu... A lagosta. Se ocorresse hoje, seria por causa dos tubarões.
Os franceses afirmavam que o crustáceo nadava e, se nadava, era um peixe. Logo, estando em águas internacionais, podia ser pescado. Já nós afirmávamos que eles não nadavam, mas, sim, caminhavam pelo fundo do mar e faziam parte da plataforma continental.
O governo francês chegou a preparar uma frota para enfrentar nossas jangadas. Imagine se tivessem tornado as lagostas cidadãs da terra de Napoleão. O que seria daqueles de Brasília que as saboreiam com um excelente vinho branco, hein?
Pense, caro leitor, se isso fosse hoje com o Trump. O porta-aviões Gerald Ford já estaria escutando frevo e pescando lagosta de arrastão. E o governo do Brasil ia aproveitar e culpar a lagosta pela alta da inflação.
Veja, meu amigo, que saída maravilhosa foi dada por um gênio da diplomacia brasileira ou por algum almirante.
Aceitar que a lagosta é um peixe só porque se desloca na água é o mesmo que aceitar que o canguru é um pássaro só porque dá saltos altos.
Que saída brilhante, criativa e genuinamente brasileira. Jamais o general De Gaulle sairia com tal artimanha.
Aqui para nós: acho que, quando o alto comando francês soube dessa tese brasileira, chegou à conclusão:
— Desisto. Isso pode ser contagioso. Fiquem com suas lagostas, que eu fico com o escargot e o croissant.