Humor, ironia
Não sou de escrever sobre política. Mas, com o fim da Copa, o tema será as eleições. E você, meu amigo e futuro eleitor, será disputado a tapas. De uma hora para outra, você, ou melhor, nós, seremos os seres mais importantes deste país.
Dona Maria, lá das brenhas, que faz um "o" com uma cuia, chega rapidinho ao mesmo patamar da finada Elizabeth II. Os candidatos, cada um com sua auréola, prometem até a alma ao diabo e, claro, uma vida melhor para a iludida Dona Maria.
Ela, cheia de esperança, já sonhando com dias de fartura, sai defendendo o seu salvador com unhas e dentes. Digo, só com as unhas, pois os dentes já se foram. Anda léguas tiranas, discute nas feiras, nas bodegas, com os vizinhos e até com os filhos, defendendo a santidade do seu imaculado candidato, que, a essa altura, desloca-se em um jatinho de um "empreiteiro despretensioso".
Preocupado com Dona Maria? Que Maria? Hein? E ela, agora esquecida pelos filhos e amigos, continua acreditando na vitória do seu protetor, que abrirá as portas dos céus e trará sua família de volta. Pensa:
— Quando eles me virem na boa, voltam tudim.
É o que Dona Maria espera, achando que vai reunir todos em volta de uma tão sonhada mesa farta. Coitada. Sonhadora, não viu o filete de água "jorrando" pelos enferrujados containers, nem ficou sabendo da inauguração de um cano.
A ignorância, muitas vezes inocente, ajuda a levar nossos corruptos ao poder. E o pior é que ela não se limita à Dona Maria. Alcança também os doutores eloquentes, tratados como figuras inalcançáveis, que dão a César o que é de César e à Dona Maria o que sempre lhe coube: nada.