Humor, ironia
Dia D — uma crítica nada confiável
Assisti ao filme Dia D e cheguei à conclusão de que não estamos sós — e não estou me referindo ao agiota. E pior, eles estão dentro de nós (lá nele!). Gostaria de entender por que seres se dão ao trabalho de percorrer milhões de quilômetros para abduzir o Raimundo Nonato, agricultor cearense. No filme, pelo menos, era uma repórter de TV que informava o tempo. Talvez seja por isso que ela não errava uma previsão. A moça falava várias línguas, inclusive um dialeto irreconhecível igual ao falado no Nordeste brasileiro, visse?
Um fato interessante que o filme mostra é os visitantes usando a imagem de cervo, raposa e cardeal para facilitar a sua apresentação. Isso corrobora para nos mostrar que eles não dominam as técnicas da harmonização facial, o que ao meu ver é um ponto extremamente desfavorável para as fêmeas das outras espécies.
Certa altura, o ex-presidente Nixon mostra a um amigo os corpos de extraterrestres capturados. Agora me diga, meu amigo terrestre, o que leva um presidente, logo após um jantar, a tomar uma atitude dessas?
— Gostou do jantar? — pergunta Nixon ao seu convidado.
E continua:
— Agora vamos ali que eu vou te mostrar um troço de arrepiar.
Imagina se isso fosse em Brasília... Aliás, a única coisa que me fez aguentar as cenas hollywoodianas de perseguição de carros foi o conforto da poltrona. Como aqui em Natal só tinha vaga na sala VIP, encarei a experiência com os olhos rasos d’água na hora de pagar o ingresso, mas fui.
Se valeu o preço? Se não fosse o YouTube para me explicar o roteiro depois, eu teria pagado caro apenas pelo conforto da poltrona. No fim das contas, saí de lá com a cabeça tão bagunçada que agora ando vendo um alien em potencial no rosto de qualquer um. Inclusive no meu próprio reflexo.
Luciano Veiga Fernandes