Humor, ironia
Diagnóstico Intergaláctico
Meu amigo, a gente sempre acha que essas coisas nunca vão acontecer com a gente. Até que, de repente, nos vemos vivendo uma experiência extraordinária. Vou direto ao assunto, sem rodeios: fui abduzido. Não ria, por favor, porque o negócio é sério.
Uma luz ofuscante entrou janela adentro e me suspendeu bem na hora do segundo prato de sopa. Enquanto meu corpo flutuava em direção ao teto, olhei para baixo e vi meu jantar abandonado sobre a mesa e minha mulher, intrigada, me procurando debaixo dela.
Instantes depois, acordei dentro de uma nave imensa e absurdamente luminosa. Tudo ali era tão limpo e brilhante que parecia que tinham acabado de passar uma vassoura no ambiente. Para me receber, quatro seres estranhamente familiares me aguardavam.
O primeiro era um Nórdico: alto, loiro, olhos azuis, corpo de quem vive em academia e com um jeitinho meio afeminado. O segundo era um Insetoide que parecia um potó gigante. O terceiro, um Reptiliano imenso e cascudo, com uma língua ágil que, a todo momento, parecia querer comer — no bom sentido, claro — o pobre do potó. Para completar a comissão de boas-vindas, não podia faltar o famoso Grey, aquele cabeçudo que todo mundo diz que já viu. Ele tinha olhos enormes e diagonais, uma pele num tom de verde que lembrava mais a camisa do Palmeiras do que o verde-oliva, e a estatura típica de um cearense, só que com mais pescoço.
Eu estava ali, completamente paralisado. O Reptiliano se aproximou e, por telepatia, me conduziu até uma sala de exames. Fui deitado em uma maca e escaneado por uma luz violeta. Conforme o raio passava, uma tela ao lado exibia o meu diagnóstico intergaláctico:
Ameba
Ascaris lumbricoides
Constipação
Bico de papagaio
Escoliose
Unha encravada
Caspa
Hemorroida
Joanete
Frieira
Conjuntivite
Liseu crônico
E mais uma lista interminável de perebas que eu nem sabia que existiam.
Ao final do exame, o Grey se aproximou com uma expressão solene, olhou bem no fundo dos meus olhos e colocou um objeto metálico no bolso da minha camisa.
Num piscar de olhos, o cenário sumiu. Quando dei por mim, estava de volta à mesa, com a colher na mão, terminando a minha sopinha ao lado do meu amor.
— Você parecia tão longe agora... — comentou minha mulher, estranhando o meu silêncio.
Eu apenas dei um sorriso enigmático.
Foi aí que me lembrei do objeto no bolso. Enfiei a mão e puxei a medalha que o ET havia me deixado. De um lado, estava gravado em letras cósmicas: É Uma Virose. No verso, a recomendação final: Muita Água e Repouso.