Humor, ironia
Não chegou nem agosto e por aqui a ventania já está muito forte. Estou vendo a hora de ter que mudar a geladeira de lugar para ela não sair mundo afora igual ao Padre dos Balões.
É um vento frio, tipo Finlândia, que me faz olhar o firmamento à procura da Aurora Boreal. Já estou espirrando e com a garganta doendo — tudo culpa do El Niño, e eu pensando que o perigoso era o El Chapo. Minha mulher já planejou fazer um boneco de neve do lado do nosso ipê, mas estamos considerando o custo da cenoura. Talvez uma batata-doce deixe o boneco até mais regionalizado.
Procurei umas meias para calçar e encontrei umas tão curtas que resolvi utilizá-las para esquentar os ovos e deixar mais aconchegante o local de repouso do guerreirinho. Que, verdade seja dita, está tão minúsculo que estou vendo a hora de ele sumir.
Como não podemos aproveitar a noite com vinho e fondue, estamos mesmo indo na velha e boa sopa. Nunca tomei tanta sopa na vida. Se eu soubesse que na velhice não ia precisar dos dentes, não tinha gasto meu dinheiro com dentista. Mas não havia um ser no mundo que imaginasse que Natal, a Cidade do Sol, ia nevar. Imagina, meu amigo, são 16h e a temperatura está em 28°C.
Contudo, para o amigo que vos fala, a sensação térmica é de -10°C. Tenho até medo de sair à rua e cruzar com um urso-polar, pois pinguins já vi uns oito.
Você, querido e privilegiado leitor, que está aí com o seu chimarrão no quentinho do Rio Grande, se quiser aproveitar o frio e comer uma carne de sol com macaxeira, a pedida é Natal.