Humor, ironia
Como os Ricos Sabem Ganhar Dinheiro
Meu amigo leitor, como o rico sabe ganhar dinheiro, hein?
Veja você: Vorcaro comprou títulos podres por 6 bilhões e vendeu por 12 bilhões. Um verdadeiro milagre financeiro. Desses que nem Nossa Senhora das Taxas de Juros explica.
Diante disso, resolvi fazer um levantamento das minhas posses, para ver se também conseguiria levantar algum capital. Abri planilha, respirei fundo e fui honesto comigo mesmo.
O resultado foi devastador.
Mesmo colocando minha bicicleta ergométrica — aquela que nunca saiu da primeira marcha — eu mal conseguiria comprar um Fiat Marea. E isso me levou a uma conclusão dolorosa: se eu fosse uma instituição financeira, o Banco Central já teria liquidado há muito tempo.
Eu estaria agora usando uma tornozeleira eletrônica tamanho GG, sem nenhuma banca de advogados renomados, tentando explicar a compra de títulos podres.
— Eu não sabia que estavam podres — diria eu, com convicção. — Aparentemente estavam saudáveis. Cheiro bom, cor normal, textura compatível com a validade.
Minha defesa seria baseada exclusivamente na minha experiência na compra de peixe. Afinal, os únicos papéis que costumo comprar são papel higiênico e o Chameguinho. Ambos, até hoje, nunca me deram problema.
O fato é que eu não teria absolutamente nada para negociar numa delação premiada. Entregar quem? Meus credores? O dono da bodega? Ou fico calado, esperando aparecer uma proposta?
Talvez fosse melhor dar tempo ao tempo. Igual à eterna negociação do Huck: vai ou não vai.
Vou esperar a primeira, a segunda e a terceira instância. Não é possível que, passando por esse balaio de juízes, não consigam provar minha inocência.
Afinal, se vender coisa podre com lucro é talento, eu nasci sem esse dom.
Meu amigo leitor, como o rico sabe ganhar dinheiro, hein?
Veja você: Vorcaro comprou títulos podres por 6 bilhões e vendeu por 12 bilhões. Um verdadeiro milagre financeiro. Desses que nem Nossa Senhora das Taxas de Juros explica.
Diante disso, resolvi fazer um levantamento das minhas posses, para ver se também conseguiria levantar algum capital. Abri planilha, respirei fundo e fui honesto comigo mesmo.
O resultado foi devastador.
Mesmo colocando minha bicicleta ergométrica — aquela que nunca saiu da primeira marcha — eu mal conseguiria comprar um Fiat Marea. E isso me levou a uma conclusão dolorosa: se eu fosse uma instituição financeira, o Banco Central já teria intervindo há muito tempo.
Eu estaria agora usando uma tornozeleira eletrônica tamanho GG, sem nenhuma banca de advogados renomados, tentando explicar a compra de títulos podres.
— Eu não sabia que estavam podres — diria eu, com convicção. — Aparentemente estavam saudáveis. Cheiro bom, cor normal, textura compatível com a validade.
Minha defesa seria baseada exclusivamente na minha experiência na compra de peixe. Afinal, os únicos papéis que costumo comprar são papel higiênico e o Chameguinho. Ambos, até hoje, nunca me deram problema.
O fato é que eu não teria absolutamente nada para negociar numa delação premiada. Entregar quem? Meus credores? O dono da bodega? Ou fico calado, esperando aparecer uma proposta?
Talvez fosse melhor dar tempo ao tempo. Igual à eterna negociação do Huck: vai ou não vai.
Vou esperar a primeira, a segunda e a terceira instância. Não é possível que, passando por esse balaio de juízes, não consigam provar minha inocência.
Afinal, se vender coisa podre com lucro é talento, eu nasci sem esse dom.