Humor, ironia
Acompanhei a caminhada do Nicolas e vi que eu já não faço mais parte da vida. Vendo toda aquela disposição do deputado, a única coisa que me veio à cabeça foi: nessa idade, ele podia ir a Brasília e voltar caminhando.
Veja bem, meus amigos, o que foi que esse ser vivido e sofrido tirou como lição…
O lema do movimento também me chamou a atenção: Acorda, Brasil. O país pode até acordar, mas eu sou mais difícil. O despertador toca na minha cabeceira e eu não escuto; quanto mais um grito vindo lá do Planalto Central. Afinal, grito vindo daquela direção eu não escuto mesmo.
Todos nós sabemos que o jovem é deputado; o que eu nunca pensei é que ele também fosse fiscal da Expresso União.
Porém, tudo saiu bem — a não ser um raio que tentou eletrocutar alguns participantes.
Apenas o governo ficou com pena por não ter tido tempo de colocar praças de pedágio no trajeto. Fato esse que pode causar a queda do Ministro da Fazenda.
Pois bem, meu amigo ex caminhante (ou não), você não está se sentindo como um cachorro que corre atrás de uma moto e, quando a alcança, não sabe o que fazer… hein? Eu estou assim. Não sei se ponho o tênis e caminho até a farmácia, pois mais longe eu já não consigo ir.
Nos bastidores da caminhada, devia haver muitos agradecendo ao Nicolas por ter proporcionado dias tão maravilhosos. “Não é todo dia que ficamos longe da patroa”, disse o Sr. Adriano. Os mais exaltados queriam incluir na pauta a cobrança da farofa e do vinagrete — ou molho à campanha, como queira — para acompanhar a picanha.
Segundo o Sr. Odair nos confidenciou:
“Foram dias fantásticos. Desde criança que eu não brinco na chuva.”
Agora vou ficar no aguardo de uma caminhada menor — talvez uma volta aqui na quadra da minha casa. Essa, eu ainda consigo acompanhar.
Não é desacreditar. É cansaço.
É ver o nosso país sucumbindo dia após dia. É a esperança indo embora para a Argentina e nos deixando órfãos. É o farol apagado.
É a minha vida perdendo a graça.