Humor, ironia
Alô… tem alguém aí?
Ou foram todos caminhar com Nicolas Ferreira.
Te confesso, meu amigo leitor, que se fosse mais perto, se eu tivesse menos quilômetros de vida e um bom tênis, teria me juntado a ele. Principalmente por saber que há frutas, lanches e pernoite gratuito. Bem, não é um Tayayá, porém a água é limpa e não está cheia de ratos. (Salve, Cazuza.)
Nessa caminhada, além de muitos acenos e calos, eu reciclaria minhas palavras de ordem, ainda presas aos anos em que Juruna e seu gravador entraram na política.
Contudo, um fato me deixou consternado: ver um senador em cadeira de rodas participando da “caminhada”. É, ou não é, vontade de participar? De estar presente em carne, osso e cadeira. Pois bem, invejo o senador. Eu, que tenho condições de andar, não tive coragem de levantar minha velha — porém limpa — bunda do sofá e ter alguma atitude.
Talvez tenha me faltado empolgação. Talvez a fé de que dias melhores virão e que Dias passará. Mas de onde eu tiraria coragem? Se o mais corajoso de todos foi quebrado ao meio…
E eu, um velho que nem força para levantar um batom tem, como posso, meu Pai Celestial, enfrentar os poderosos? O Senhor vê tudo, sabe de tudo. Inclusive do meu saldo bancário, cujo valor humilha qualquer homem.
Sei que a caminhada termina em Brasília. Acho até que, se Juscelino tivesse tido a visão desse movimento, teria fundado nossa capital coladinha a Minas Gerais.
Mesmo assim, no próximo domingo a marcha chega ao seu destino.
E aí… vamos colocar os pés em água morna.
E pronto.