Humor, ironia
Administração por Indumentária
Não sei como está hoje, mas anos atrás era comum, em uma repartição pública, a seguinte cena:
— Bom dia, gostaria de falar com o Sr. Paulo, chefe do setor de fiscalização.
— Bom dia. Só um momento, por favor.
— Ele já chegou?
— Chegou, sim. O paletó dele está aí na cadeira. Deve estar em reunião com o coordenador.
— Será que demora?
— Não sei informar, mas às vezes demora muito…
— Muito quanto?
— Horas. Às vezes, os dois expedientes. Mas ele está na unidade.
E lá ficava o paletó do Paulo, descansando na cadeira, enquanto o próprio desfrutava dos prazeres da carne com sua amante em algum motel da cidade.
Paulo, diga-se de passagem, ainda alugava seu paletó para o pessoal do setor. As segundas e sextas-feiras eram disputadas a tapas por aqueles que, infelizmente, não haviam conseguido um atestado médico a tempo. Até tentaram, mas o Dr. Sandoval não estava presente — apenas o seu jaleco ornava a poltrona.
Lucineide não tardou a aderir à moda. Passou a usar um casaquinho, mesmo com o ar-condicionado permanentemente em manutenção. Segundo ela mesma afirmava, os direitos eram iguais. Assim, às terças-feiras, sua poltrona passou a abrigar o casaco durante todo o período da tarde.
Havia dias em que você entrava no setor e tinha a impressão de estar adentrando uma loja da Renner.
O pobre do servente resolveu aderir ao movimento. Deixou a vassoura encostada na parede. Resultado: levaram a vassoura, e ele teve de indenizar o Estado. Mas não parou por aí. A empresa de limpeza mudou o fardamento e adotou um colete, que passou a ser deixado no armário enquanto Josias jogava sinuca em um boteco.
Entretanto, a manobra não funcionou. Colete no armário indicava ausência no trabalho. A solução encontrada foi simples: Josias passou a jogar sinuca vestindo o colete.
Essa história, que pode até ser verdadeira, inspirou-me a dar uma sugestão ao Governo do Rio Grande do Norte.
A governadora vai se desincompatibilizar para concorrer ao Senado. Até aí, tudo normal. O absurdo vem depois: o vice-governador não quer assumir o abacaxi potiguar. Então vai minha sugestão: coloquem um paletó na cadeira da governadora e pronto — resolvida a questão.