Humor, ironia
Entre a Carne de Sol de Caicó e o Pastel de Tangará
Meus queridos e queridas leitores, não sei aí onde vocês moram como funciona. Mas aqui, em Natal, todo mundo acha que as comidas regionais que vêm acompanhadas com sobrenome são boas. Eles acreditam que colocar “De Caicó” é um atestado gastronômico. Então, a Carne de Sol de Caicó é a melhor que tem na região. E não para na carne: passa pela galinha, picado, buchada e outras guloseimas light existentes.
Não duvido que alguém já tenha comemorado bodas de ouro em algum restaurante desses; afinal, é de Caicó.
— Querida, vamos comemorar nossos 50 anos de casados saboreando uma deliciosa Carne de Sol.
— Arnaldo, você acha que depois de 50 anos de casada com você o que eu mereço é uma Carne de Sol?
— Mas, amor, a carne é de Caicó.
— Homem, por que você não falou logo? Agora sim, é algo especial.
Será que é isso que passa pela cabeça de um empreendedor ao ligar um prato a um GPS? Será que as cidades vizinhas não ficam revoltadas? Se eu fosse empreendedor desse ramo de atividade, já tinha feito um assim: Carne de Sol de Goianinha. Não é de Caicó, mas é o mesmo que ser. Ou: Carne de Sol de Goianinha, irmã da de Caicó.
Mas tudo vai se copiando. A moda agora é o pastel. E, surpreendentemente, não é de Caicó, mas de Tangará. Então, em cada esquina tem uma farmácia e um Pastel de Tangará.
Acho que o fabricante do pastel não quis um confronto direto com a carne de sol e, de uma hora pra outra, todo mundo acha que o melhor pastel do mundo é o desse município.
Eu provei o pastel e te digo: é igual à carne de sol. Sem nada que mereça um destaque, a não ser nesta crônica mequetrefe. Pois, se eu conhecesse o croissant do Café de La Paix, não estaria falando sobre carne de sol e pastel.
E aí, leitor do Luciano de Natal — próximo a Tangará e Caicó —, que tal me fazer feliz? É simples, você consegue… é só deixar um comentário.