Humor, ironia
Tinha se passado poucas horas da virada para 2026 e já recebi minha primeira tarefa. Confesso que fui surpreendido, pois, depois de tantas cervejas, algumas taças de um champanhe com gosto de Sprite, ainda ter alguém que acreditasse na minha capacidade laboral é, no mínimo, surpreendente.
— Luciano, pegue o filme plástico e embale as comidas para colocar na geladeira.
Claro, amor. E eu sou louco de lutar contra as forças da natureza. Para mim, a força da perereca só se compara ao tsunami do Japão.
Aí, meu amigo pseudo-dominante e minha amiga linda e maravilhosa, começou o meu primeiro desafio: achar a ponta do filme plástico.
Você que já tentou usar o maldito filme pela segunda vez sabe muito bem do que estou falando. Parece que aquele troço tem vontade própria. Se apega às suas raízes, e não tem criatura no mundo que ache a ponta dele para puxar.
Tentei a unha, dentes do garfo, faca, tesourinha e até um bisturi que minha filha tem foi utilizado nessa operação. Minha vontade era colocar essa “porra” dentro de um envelope e remeter para o proprietário da fábrica que produz esse artefato destruidor da paz e da harmonia conjugal.
Resolvi minha tarefa a meu modo: coloquei as bandejas dentro de sacos de supermercado e dei um laço. Ficou lindo, mas, no outro dia, vi que não agradei minha mulher. Sob uma severa explanação de segurança alimentar, comecei o meu dia sorrindo, pois ela também não achou a ponta do filme plástico.