Humor, ironia
Durante toda a minha vida passei a virada de ano descontraído. Alegre. Beijando e abraçando as pessoas da minha vida. Nada de preocupação. Apenas comemoração.
Mas tudo mudou.
De repente vem uma chinela, que minha mãe chamava de japonesa, querer que a gente entre o ano pulando como canguru, com os dois pés.
Ora, chinela, eu tenho idade suficiente para saber com que pé vou entrar em 2026. E vai ser o direito. Como tenho feito desde 1960. Essas coisinhas de querer causar, criar polêmica e aparecer podem lhe custar muito caro.
Você já é uma rasteirinha líder do mercado nacional. Tá querendo o quê? Emoções? Cuidado, pois pode ser que você tenha que investir rios de dinheiro somente para dizer que cada um entra o ano com o pé que quiser.
Outra coisa: essa decisão de dois pés pode soar preconceituosa. Meu tio *, por exemplo, jamais iria passar o ano com os dois pés. Ele teve poliomielite, que afetou a perna direita. E aí, como ele ficaria? Permaneceria pra sempre em 2025, em um eterno “Dia da Marmota”, porque é feio entrar com o pé direito?
Parem de querer tirar vantagem em dilemas nacionais. Ninguém aguenta mais ver o mesmo pessoal falando as mesmas besteiras e achando que estão descobrindo a pólvora. Vai trabalhar, vai empreender com seus próprios recursos, vai gerar empregos.
(*) Meu tio, Roberto Luís Veiga, aos 27 anos teve poliomielite e ficou com sequela,