Humor, ironia
CPMI: A Passarela dos Calados Bem Vestidos
Gente, eu tentei. Juro que tentei. Mas é mais forte que eu. Prometi que não ia falar nada sobre o escândalo do INSS, porém fui vencido — e aí vai. Segurem os queixos.
Primeiro, quero registrar minha admiração pelas faculdades que formaram as pessoas envolvidas no caso. Amigo, isso sim é formar profissional qualificado, não a porcaria do curso que eu fiz. O pessoal se forma, abre uma penca de empresas e, com um único cliente e sem funcionários, fatura milhões. Poxa, por que não fazem um EAD? Iam bombar.
Um dos convidados da CPMI era alfaiate. Logo vi que tinha algum profissional da costura envolvido. Vocês viram o corte dos ternos dos depoentes? Deus, que beleza. Coisa fina. Nem parece aquele que eu aluguei pra ir à formatura do meu filho.
Uma coisa temos que concordar: é um pessoal unido. Todo mundo é atendido pelo mesmo contador, que usa o terno feito pelo mesmo alfaiate da moçada. É uma irmandade. Nesse grupo, o lema “ninguém solta a mão de ninguém” faz todo sentido.
— O senhor conhece fulano?
E a resposta vem com tanta naturalidade:
— Vou usar o direito de ficar calado (e de ferrar o povo).
Uma das depoentes tinha um Ford Ka declarado no IR de um ano e, no outro, uma Ferrari. Veja bem, querido leitor: em um ano eu tinha um Etios e, no outro, eu não tinha mais nada. Vendi pra pagar contas. Também, quem manda eu não ter frequentado a faculdade dos empreendedores geniais? Hein?
Teve um desses grandões que abriu uma pizzaria para receber mesada. Isso mesmo: 250 mil por mês. Eu tive uma cafeteria durante anos e nunca caiu um Pix de mais de 20 reais. Se eu soubesse que pizza é que dá dinheiro, tinha mudado de ramo.
Agora, verdade seja dita: que povinho família esse. O pai paga pro filho, o filho paga pro irmão, o irmão paga pra esposa, a esposa paga pro cunhado, o cunhado paga pro alfaiate, o alfaiate paga pro contador, e o contador compra pizza e devolve o troco pro primeiro. Será que não tinha nem uma brechinha pra mim? Posso ser o entregador da pizza, que tal?
Já no plenário da CPMI é um verdadeiro teste de DNA para descobrir a paternidade: “Toma que o filho é teu.” “Não, esse filho é seu, tem até a sua cara.” E agora descobriram a palavra “blindagem”. Tudo é blindagem. O pobre do aposentado roubado deve achar que blindagem é um corte especial que o alfaiate criou.
Como os depoentes ficam calados, só contemplam aqueles senhores discutindo e, quando vão falar, como sabem que não adianta responder, ficam fazendo discursos. Um lado ataca o outro. O outro inventa uma lambança e solta no ar, igual a peido… só pra catinga subir.
Bem, amigos, se vocês ficaram com vontade de assistir à CPMI ao vivo, agora só no ano que vem. O pessoal foi descansar. Afinal, pelo menos alguns da CPMI estão trabalhando… enquanto outros estão atrapalhando.
Se quiser ler outras crônicas minhas reunidas, deixei um e-book disponível no meu perfil.