Humor, ironia
Me diga, meu amigo leitor: cadê meus super-heróis? Por onde anda o Batman e aquele seu coleguinha saltitante? Sumiram. Evaporaram. Não aparecem nem com aquele cinto tipo Bombril — com as clássicas 1001 utilidades. Aposto que estão num spa, queimando gordurinhas localizadas, enquanto deixam seus protegidos submissos e indefessos, largados por aí como quem espera salvação que não vem.
E o Aranha? Hem? Esse deve estar trepando em paredes e costurando teias artesanais pra impressionar a Mary Jane. Pinotando de um lado pro outro, sempre em cima de algum muro — porque firmeza nunca foi o forte dele. Não dá pra entregar nosso destino nas mãos de um aracnídeo.
Vamos apelar pro Super-Homem então. Mas sejamos honestos: em plena era dos drones, o que um senhor com catarata pode fazer além de voos cegos? Hoje, o máximo que ele sustenta é propaganda de plano de aposentadoria. Super qualquer coisa já não existe. O único “super” que continua funcionando é o mercado — esse sim levanta, voa e destrói tudo com eficiência.
Quanto à Mulher-Gato… bom, essa deve estar de cabelo vermelho num baile funk, rebolando a cauda até o chão. Não é criatura confiável. E não dá pra esperar socorro de alguém que fez a coreografia da dancinha dos animais na COP 30.
Você, leitor atento e otimista, pode até lembrar: “Luciano, ainda tem o Homem de Ferro.” Aí eu te respondo com carinho: meu querido inocente, quem você acha que fez aquelas barricadas no Morro do Alemão? Ele não está salvando o mundo — só reforçando o ferro onde não devia.
Mas não vamos cometer a ingenuidade de esperar pelo Capitão América. O América já tem o planeta inteiro pra tomar conta. Tanto que delegou ao Romário a parte esportiva. No momento, está ocupado azucrinando a vida de um presidente corrupto, narcotraficante, que virou um ratinho querendo rugir.
Diante desse sumiço generalizado dos heróis importados — que fogem, emagrecem, dançam funk ou simplesmente tiram férias — sobra pra nós recorrer aos nossos, aos raízes. Tipo o Patrulheiro Rodoviário. Quem sabe ele não organiza uma carreata de Simca Chambord, Ford Bigode e Del Rey? Só pra gastar combustível com gosto e poluir essa porra toda como quem diz: “tamo aí, Brasil, segura mais essa.”
Porque, no fim das contas, super-herói não é quem salva o mundo.
É quem ainda tem coragem de aparecer.
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