Humor, ironia
Novembro Azul
E aí, moçada. Todos satisfeitos por ter começado novembro? Eu estou pensativo, porém feliz. E esse sentimento se dá por poder passar um mês no azul.
Ter um mês só pra nós, homens. Ver a Torre Eiffel, o Maracanã e o Cristo Redentor de túnica azul é de deixar até o Roberto Carlos tranquilo na vibe.
Contudo, existe uma enorme diferença entre os sexos. Para elas, todos os meses têm datas comemorativas para ganhar presentes: é o Dia das Mães, das Noivas, da Mulher... Fora as datas que elas mesmas inventam — e que nós somos trucidados se esquecermos. Dia que começou o namoro, do primeiro beijo, da coisada inaugural — aquele que você comprou uma cueca nova, sem freada. Em cada comemoração dessas, lá vai jantar, rosas, presentes...
E para nós resta apenas um dedo encarcando o nosso boga.
Agora me diga, prezado leitor, não seria correto trocar essa cor azul por marrom? Pelas informações que me chegaram, tem proctologistas que, em outubro, já estão amolando o dedão — e alguns rapazes procurando peças íntimas mais, digamos assim, atraentes.
No dia do exame é uma graça: todos disfarçando o terror estampado no rosto. Quando o médico chega, o foco é no dedo dele — igual a amante que olha a mão pra ver se a próxima vítima tem aliança.
Um senhor do meu lado puxa uma conversa:
— É sua primeira vez?
Pronto. Me senti com 16 anos, no cabaré de Maria Boa, sendo entrevistado por Beth.
Entretanto, a fisionomia de quem entra para o exame não é a mesma de quem sai. Sabe aquele semblante de missão cumprida? É assim que o examinado sai do consultório.
E as perguntas concentram-se no tamanho do dedo do Dr. Sebastião Araújo:
— Pegou o número dele?
— Rolou um clima?
— É pra casar?
— E o dedão, é grosso, fino, tem curva ou é retilíneo?
E o sobrevivente, para enlouquecer, afirma:
— Eu não sabia, mas o Dr. Araújo é irmão do Kid Bengala.
E sai todo feliz por ter dado um passo importante para sua saúde.
Brincadeiras à parte, o importante é lembrar: o Novembro Azul é pra rir, mas principalmente pra se cuidar. Porque ser homem de verdade é ter coragem de enfrentar o medo — até o do dedão do Dr. Araújo.