Humor, ironia
Ou Vai Ou a Cerca Cai: Crônicas com Humor
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A Perfeição Tem Nome

Sabe, meu querido leitor, eu acho que todos nós temos um conhecido tipo o Silvio. Vou te explicar tudo bem direitinho. Pode se acomodar do lado da patroa, mas longe da sogra, que eu vou te revelar minha última conclusão.

Ainda no meu tempo de faculdade, tive como amigo de turma um rapaz chamado Silvio. Não era o Caldas, tampouco o Santos, mas me chamava a atenção pela sua organização. Quando ele entrava em meu raio de visão, eu não via a sua imagem — minha imaginação se transportava até a gaveta de meias e cuecas dele.

Ele falando, e eu imaginando a perfeita harmonia de cada peça formando uma paleta de cores na mais perfeita ordem. Não pense, meu amigo, que você vai encontrar alguma “freada de bicicleta” nas sofisticadas peças íntimas dele. Não, você não vai.

Aliás, Silvio é o único ser do planeta que deve lavar as mãos antes e depois de usar o sanitário. Ele jamais pegaria no pênis (Silvio chama assim) sem antes lavar as mãos.

Quando o Silvio entrava na sala de aula, sua primeira providência era arrumar o material sobre a carteira. Um caderno muito lindo, que à distância parecia ter mais folhas do que o Aurélio. Suas canetas não eram transportadas como as minhas — eram acomodadas em um rico estojo que, por incrível que pareça, tinha até régua e corretivo.

Sua roupa bem engomada dialogava com os cabelos sempre penteados e cortados a cada 45 dias. Seus sapatos, de brilho ofuscante, me faziam esconder debaixo da carteira da frente meu tênis tipo basqueteira azul.

Outro espetáculo era o interior do carro dele: cheirinho para todos os lados, flanela sempre disponível e um tapete tão limpo que deixava o vermelho de Hollywood para trás.

Você pode até estar pensando:

— Nossa, o Luciano está detonando um amigo.

Não estou, não. Ele foi — do verbo não é mais. Amizade de faculdade acaba na hora que a gente recebe o canudo. Se sobrar um ou dois, é lucro.

Bem, meu prezado, a essa altura da vida ele deve estar fazendo palestra do tipo “Dr. Bactéria” — e me citando como exemplo negativo de um ser desprezível que não tem nem estojo de canetas.

 

Luciano Veiga Fernandes
Enviado por Luciano Veiga Fernandes em 05/11/2025
Alterado em 14/11/2025
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