Humor, ironia
O Vazio
Sinto como se o vazio habitasse meus pensamentos. Talvez o amigo também tenha passado por uma experiência dessas. É preocupante, pois chego a pensar que esse sentimento vai se perpetuar como o de um certo habitante do planalto central.
Porém, o referido cidadão palaciano tem muito com que se distrair — inventar lorota, falar mal dos outros, tomar uma pra almoçar, tomar banho, jantar e puxar briga com o vizinho grandão.
Mas eu, pobre assaltado do INSS, tenho como companhia apenas o vazio de uma casa. Minha mulher e filha trabalham fora e, todos os dias, deixam como lembrança ele: o vazio.
Então penso comigo:
— Luciano, reaja. Preencha esse vazio, homem de Deus.
E o máximo que eu consigo é preencher o vazio com mais vazio. É o legítimo conjunto vazio.
Cheguei à conclusão de preencher o espaço com algo... Bebo uma Coca-Cola para o gás ocupar parte do vazio. Ocupa. Mas logo sai, pois acho que soltei um pum. Acho, pois, no vácuo do vazio absoluto, o som não se propaga.
Por isso, resolvi escrever essa crônica. Vazia de conteúdo, mas cheia de sentimentos.