Humor, ironia
Não posso lhe afirmar, meu amigo leitor, que foi um sonho. Não, não posso. Foi real demais para ter sido, e importante, pois lembro de cada passagem, das cores, dos perfumes e dos formatos.
Lá estava eu, em um imenso mirante suspenso de três andares. Sentia que havia outras pessoas, mas não as via. Era como se aquela imensidão retangular de mármore branco refletisse a pureza e a leveza do local.
Suas escadarias, de largos e compridos batentes, eram ladeadas por fontes de uma água cristalina que, só de olhar, sabia-se tratar-se de algo tão puro que não existe em nosso planeta.
Não havia paredes, tampouco colunas aparentes. Jardins caíam do andar superior, como se dessem mais vida ao ambiente. Formavam, com as fontes de água, um contraste desafiador.
Do mirante suspenso descortinava-se a mais bela paisagem que meus olhos já viram: um imenso jardim de flores e plantas de cores e tamanhos inacreditáveis, mas em perfeita harmonia. Caminhos de água deslizavam por entre a relva verde — algo jamais visto.
A suavidade do aroma perfumava todo o ambiente, e as tonalidades das cores não existem em nossa paleta terrena. Eram tons e cheiros que me faziam apreciar toda aquela maravilha em perfeita paz.
Já se passaram dez dias desde esse meu sonho, e eu lembro de cada detalhe. Para alguns de vocês pode ter sido uma experiência; para outros, apenas um sonho.