Humor, ironia
Ou Vai Ou a Cerca Cai: Crônicas com Humor
Textos que derrubam cercas e arrancam risos e reflexões.
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Textos

Meu Dia Sem Internet

Prezado leitor, tenho passado por uma experiência transcendental desde que a minha internet resolveu tirar férias. Ela saiu na sexta-feira e, segundo o ser mais importante do planeta — o técnico da Vivo —, ela regressará, espero sem ressaca, amanhã até as 18h.

Quando soube da notícia, de pronto verifiquei a hora do jogo Fluminense e Internacional para ver se tornaria os escritórios dessa empresa em um verdadeiro “dia de cão”, tipo Al Pacino.

Eu tinha um pouco mais de um dia para coçar meu saco em tempo integral. E comecei a procurar o que fazer... mas, sem internet, não há muitas opções.

Como eu já tinha escrito a crônica “A Topada: Nós Trupica, Mas Cai”, passei o resto do dia lendo e retocando esse maravilhoso escrito que eu, na qualidade de seu amigo, sugiro como uma leitura obrigatória.

A cada vez que eu lia, ia colocando algo mais: ajustando, mudando palavras, floreando o texto. Lá pelas tantas vi que minha crônica estava igual ao vestido de Leda.

Explico: Leda era uma amiga de colégio da minha mãe. Os vestidos dela tinham de tudo — babado, broche, laço, cinto, renda, camafeu, flor, gola grande, apliques de crochê... Então voltei ao texto inicial, e assim ficou. Pois, como dizem os jurados do MasterChef: “Menos é mais.”

Não tinha mais o que fazer, então comecei a procurar um contato com a natureza. Varri, juntei e apanhei as folhas que o nosso Ipê nos presenteia, pois flor que é bom, nada.

Parti para a cozinha e fiz a carne para cachorro-quente — por sinal, muito boa — e caprichei na Coca Zero pra ficar bem gelada.

Olhava para o relógio e os ponteiros pareciam estar colados. Pouco tempo tinha se passado, e eu pensei: vixe, vai chegar o fim do ano pra todo mundo, menos pra mim.

Então resolvi ir ao supermercado para conferir se eu estava incluído no tempo certo. Graças a Deus pude verificar que sim, pois a pilha de panetones Bauducco na entrada da loja me garantiu que eu não estava vivendo em outra dimensão.

Olhei o panetone, levei um susto, deixei ele no cantinho onde estava e imaginei o preço de um da Copenhague.

Na volta para casa, vim fazendo aquela força mental na expectativa de estar apenas sonhando e que a internet tivesse voltado. Não voltou. Não era sonho. E pude até provar, pois comemos cachorro-quente no jantar.

Então chegou o grande dia — o dia do regresso dela. Para minha felicidade, ela voltou às 10 horas, e desde aquele momento estamos encangados um ao outro, para desespero do Ipê, que não vai mais ter com quem converse com ele.

 

Luciano Veiga Fernandes
Enviado por Luciano Veiga Fernandes em 26/10/2025
Alterado em 14/11/2025
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