Humor, ironia
Meu querido amigo, pode se ajeitar na cadeira, colocar os pés no seu banquinho, mas você — e muitos outros — vão ter que concordar comigo: todos nós já demos uma, ou até várias, na vida.
Algumas são sutis, outras deixam marcas para sempre. Muitas vezes assumimos, outras disfarçamos — mas quase sempre choramos enquanto os outros riem.
Não é o que você pensou, oh mente privilegiada! Estou me referindo a uma TOPADA.
E posso te afirmar, com absoluta certeza: todos aqui, se ainda não deram uma topada, preparem-se, porque ela está chegando.
A topada, quando é um ato em via pública, humilha a vítima. Deixa o pobre mortal desnudo de qualquer compostura. Torna o mais concentrado e respeitado ser humano em um personagem caricato, querendo disfarçar seu ato enquanto os apreciadores da dor alheia riem.
Sob o olhar da plateia, a vítima quer demonstrar força, firmeza e alto controle. O dedão latejando, a unha apontando para o firmamento, e ele dando uma de machão — sem saber como vai tirar o pé de dentro daquele sapato que, a essa altura, está se tornando uma câmara de tortura medieval.
Olha para o público, que nesse momento disfarça e finge rir de outra coisa, e sai manquitolando, pedindo a Deus forças para suportar aquela verdadeira dor do “parto”.
E pior: ainda tem algum gaiatinho (tipo Luciano) que fica refazendo a cena para deleite de uma plateia que não vê a hora de chegar em casa e postar nas redes sociais.
Quando a topada acontece no aconchego do lar, você grita logo: Porra!
Mas é um porra com vontade — tipo um dado pelo finado Pavarotti, com raiva.
Esse é o sinal de uma topada caseira. Ninguém nesse mundo grita “ai”, “me ajude”, “socorro”... não. A palavra que ainda conseguimos tirar de dentro de nós é porra, e pronto.
Nesse momento, você é cercado por todos: mulher, filho e até o cachorro vêm ao seu socorro.
E pegue água gelada, mertiolate, um tufo de algodão, gaze (muita gaze) e o esparadrapo — que nessas horas some, dando lugar a um lindo cordão amarrando tudo.
Você, com o pé em cima de uma cadeira, pensa que tudo terminou... quando começa um latejar que faz acreditar que o dedão vai explodir e levar junto seus ovos — ou seu implante de silicone, caso seja uma vítima do sexo feminino.
Contudo, se o amigo acha que fica por aqui, enganou-se.
Se o “acidente” foi presenciado por alguém — mesmo sendo seu filho querido —, pode ficar certo: vai ter piadinha, replay dos melhores momentos e, lógico, postagem nas redes sociais do seu pé, com o dedo parecendo um algodão doce devido ao “discreto” curativo.
Bem, meu amigo e minha amiga, espero que você já tenha dado sua topada.
Caso não tenha, aconselho: uma botina reforçada, muito cuidado e, como receita, a medicina atual prescreve — muito repouso e água.
Eu sugiro: humor, ironia e... dá beijinho que passa.