Humor, ironia
Meus amigos queridos (quanta falsidade), parece que até que enfim a minha criatividade virou a Rita e foi embora. Só não levou o meu “bom disco do Noel” porque, infelizmente, eu não tenho.
Acho que ela chegou e viu o quanto está fora do compasso em relação à minha humilde pessoa. Constatou que a sua agilidade, criatividade e energia não condiziam com a de um lindo e conservado senhor da melhor idade.
Eu aqui, quase parando, aos passos de uma lesma, à la Rubinho, e ela voando baixo — e muitas vezes alto — demonstrando uma agilidade que não compactua com a minha atual performance.
Você, brilhante e sábio leitor, não pense que estou usando de um escudo, me mostrando como um jovem e disposto homem de meia-idade. Não, não pense. Eu não sou mais de meia-idade, sou de idade completa. E bota completa nisso.
Aliás, já tenho mostrado nas minhas escritas que não parei no tempo; porém, o tempo parou em mim. E olha, querido leitor, essa parada foi uma escolha “forçada” pela própria mãe natureza, que de mãe não tem nada.
Acho que a criatividade deve ter feito uma análise de custo-benefício e viu que era melhor procurar alguém mais dinâmico, mais jovem. Mais bonito, não — não ia encontrar um “pitelzinho” desses aqui.
Entretanto, pelo próprio “pitelzinho” já deu pra você atestar que ela está me abandonando aos poucos. Pois, se aqui estivesse, jamais me permitiria registrar uma palavra tão antiga como — “pitelzinho”.
O que mais me preocupa é como esse desligamento está ocorrendo. Estou escrevendo, cheio de ideias, me dá vontade de fazer xixi (coisa que velho faz muito), vou ao banheiro, faço e não lavo nem as mãos pra não perder o fio da meada. E quando retorno... nada. Ela já foi embora.
Aproveito e volto pra lavar as mãos e, olhando no espelho, ainda solto um: “grande merda você é”.
Por isso, caro leitor (como se tivesse algum), minhas crônicas vão ficar mais esparsas. Vou ficar na rede, pezinho na parede, para um balanço gostoso e, se ela voltar, corro e escrevo. E te juro: faço xixi na bermuda, mas não largo dela até terminar o texto.
Bem, agora um conselho: leia essa crônica e envie para sua sogra (só de sacanagem), porque não sei se ela — a criatividade — vai voltar.