Humor, ironia
Como dispensar sua “amada” em três dias
Ao contrário de Madame Safira, eu posso afastar o seu amor em três dias.
Exatamente isso: afastar, do verbo mandar pra longe.
Muitas vezes o amigo faz uma investida e bate um arrependimento que vai se transformando em um calvário.
Calma, meu parça — estou aqui para ajudá-lo e dividir com você minha vasta experiência de vida. Vamos lá.
Após o seu primeiro contato com a vítima — digo, com ela — e a impressão não foi das melhores, mas seu instinto machista ainda sopra no seu ouvido coisinhas vindas diretamente do capeta, sugiro adotar a abordagem Augustinho Carrara.
Vá ao encontro trajando xadrez e listras.
Esse modelito será usado apenas essa vez, pois ela não terá mais coragem de sair com você fantasiado de espantalho.
Esse é apenas o primeiro passo.
Porém, o amigo pode ir aumentando a dose se a pretendente não desistir.
Inclua no roteiro um jantar romântico.
Ela vai sonhar a semana toda com esse momento — e você, além de ir trajado de Augustinho, vai fazer o seguinte:
Após o encantador jantar, pegue um palito de dentes e faça uma faxina pesada na arcada superior e inferior.
Importante lembrar que, em intervalos aleatórios (para causar surpresa), você deve dar uma sugada, fazendo aquele barulho característico.
Agora o pulo do gato: mantenha o palito na boca e faça-o deslizar de um canto a outro entre seus lábios.
Antes de deixar sua companheira em casa — sim, em casa, pois ela foi acometida por uma dor de cabeça repentina — dê um sutil arroto.
Se você é o “ó do borogodó” (é o novo) e ela ainda tem coragem de sair com você, chegou a hora do nível dois: o celular.
Deixe tudo acertado e, na hora do seu encontro, receba várias ligações e posts de tudo que é proibido.
Em alguns casos, deixe “sem querer” no viva-voz, principalmente na ligação que começa por:
— Oi, sumido. Não gostou... foi?
— Brother, sua encomenda tá aqui. Deu rolo, mas foi liberada.
— Meu filho, você escondeu novamente minha bombinha...
— Ei, meu marido descobriu tudo...
Se depois de tudo isso ela ainda persistir, faça chegar até ela um atestado assinado por um amigo, falando do seu desvio mental.
Pois bem, se depois disso ainda persistir a aproximação, defira o golpe final:
— Amélia, tenho algo pra te falar. Sou casado e tenho um filho. Eu e o Danilo somos muito felizes e não dá mais pra ver você. Tchau, racha.
Depois dessa, ela vai embora pra sempre — e você está pronto pra voltar pra gandaia.
Nota do autor:
Ah, e antes que alguém reclame: esse método também vale pra dispensar o “príncipe encantado”. É só adaptar o figurino e o arroto.