Humor, ironia
Riso Insolente
Escrever o quê?
Me diga, minha santa inspiração — ou será você, meu leitor de olhos tristes? — o que eu ponho aqui.
Me diga, meu senhor dos sonhos, qual porta da minha imaginação eu abro pra sair algo que transforme a sua melancolia em humor.
Quer que eu fale sobre a minha falta de dinheiro ou sobre a sua?
Ou então prefere que falemos dos escândalos do Brasil? Se for esse o escolhido, por favor, me diga qual deles.
Que tal sobre a aposentadoria — essa época que a gente sonha, sem saber que a fartura de tempo pra sonhar vira, no fim, um pesadelo?
E se eu falar sobre o susto que tenho ao me ver no espelho do banheiro? Hein… gostou desse?
Eu e o finado — prontos para tomar banho e nos preparar para... nada. Absolutamente nada.
Aquele espelho que outrora me ouviu cantar forte e confiante agora me vê soluçar baixinho.
A minha sorte é que ele não é falante, como aquele da Branca de Neve.
Talvez você prefira rir dos meus foras que se transformaram em risos — como aquela vez em que entrei numa sala de reunião lotada e, ao soltar a porta (justamente aquela sem amortecedor), o barulho fez com que todos se virassem.
Só me restou dizer:
— Bom dia, isso é que é uma entrada triunfante.
E se eu falar de um amigo do tempo da adolescência que dizia que todo mundo nasce com uma estrela na testa, porém a dele era na sola do pé — e apagada?
Luís sempre sonhou em ser piloto militar, mas nunca conseguiu. Segundo ele, era problema com a estrela apagada.
Um dia, foi trabalhar na padaria da família, chamada Padaria Aviação.
E eu, pra incentivá-lo, dei aquele empurrãozinho:
— É assim mesmo, tem que começar por baixo. Qualquer hora dessas você pilota uma baguete.
Bom, a estrela de Luís subiu pra testa e acendeu um holofote.
Fez concurso e, num único dia, recebeu a notícia da aprovação para a Petrobras e para a Polícia Federal.
Ele optou pela PF, pois, com uma estrela tão brilhante, é bom estar sempre armado pra defendê-la.
Por isso, meu caro leitor, sempre há um motivo para sorrir.
Eu mesmo estou rindo até de boleto vencido.
Acho que vou adotar um novo sobrenome — Luciano Hiena.
Afinal, se até uma hiena consegue comer merda e rir, por que eu não posso rir da minha vida?