Humor, ironia
A Gambiarra – Um instituto Brasileiro
Se tem uma coisa que nós, brasileiros, somos mega top plus, é na arte da gambiarra.
Exatamente isso, meu queridíssimo amigo — somos unanimidade mundial.
Então, meu prezado, acomode esse lindo corpinho na sua poltrona de preferência e vamos passear pela louca imaginação do seu guia e mentor do bom humor.
Antes de falar em alguns casos específicos, vamos nos afastar até a periferia e olhar para os fios dos postes. Olhou? Lembra o quê?
Isso mesmo… um enorme novelo de linha!
Ali tem fio do tempo em que dava voz à vitrola. Fios que chegaram por mãos não qualificadas, mas altamente especializadas — alguém capaz de levar luz até sua casa mediante uma pequena contribuição.
Aliás, esse mesmo “eletricista” deu um jeitinho no vazamento do radiador do seu Celta com a famosa Durepox e ainda instalou o megafone do carro da pamonha.
Esses fatos nos mostram que um verdadeiro profissional da gambiarra tem que ser um generalista — é o famoso clínico geral, só que sem receitar repouso e muita água.
Existem também os praticantes caseiros da gambiarra: são aqueles que fazem antena de TV com arame, colocam bombril na ponta da antena interna… esses são os amadores.
Entretanto, muitas vezes uma gambiarra surge do nada — e, em fração de segundos, se torna questão de vida ou morte. Veja o caso da Apollo 13.
Quem nos garante que, depois de receber a famosa frase “Houston, temos um problema”, a NASA não ligou imediatamente para o Manuca de Jacarepaguá?
A 230 mil quilômetros da Terra, foi feita a mais bem-sucedida gambiarra da história!
Nem você, meu amigo, nem eu, ficaremos sabendo se o triste acidente do Ayrton Senna foi causado por outra gambiarra.
Provavelmente, um Manuca qualquer deu um jeitinho brasileiro na coluna de direção e, infelizmente, não funcionou.
Com certeza, essa mania nacional do jeitinho já ultrapassou os limites da mecânica, da elétrica e da hidráulica.
Os ladrões, por exemplo, usaram uma gambiarra monumental pra chegar — como verdadeiros tatus — ao Banco Central de Fortaleza e limparem os cofres.
Na Segunda Guerra, muita gambiarra acabou virando invenção boa. O leite condensado, por exemplo, nasceu pra durar mais tempo sem estragar — e até hoje adoça nossas vidas (e o pão do Bolsonaro!).
Mas nem toda gambiarra dá certo. Os britânicos, por exemplo, tentaram fazer um porta-aviões de gelo e serragem. Ideia boa no papel — até o navio começar a derreter.
Se fosse eu que tivesse dado essa ideia, tinha sido levado direto pro hospício, de camisa de força.
Logo, podemos ver que eles até tentaram enveredar na gambiarra — mas acredito que nunca vamos ver um inglês vendendo gato de TV a cabo puxado do fio da rua.
Por isso, meu leitor, a gambiarra já faz parte do nosso dia a dia. Sempre temos um Manuca por perto — pronto pra nos ajudar… ou nos eletrocutar.