Humor, ironia
Ou Vai Ou a Cerca Cai: Crônicas com Humor
Textos que derrubam cercas e arrancam risos e reflexões.
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Textos

BRINDE COM METANOL

Você, meu amigo e minha amiga, chegue mais. Puxe uma cadeira — essa não, essa é da Fifi. Pegue aquela de design italiano. Pronto, está confortável? Então vamos lá.

Tenho acompanhado atentamente todo o desenrolar do batismo do metanol nos destilados. Parece que é uma contraofensiva paraguaia para desacreditar a indústria etílica nacional.

Mas, vejam os senhores: um levantamento da nossa força federal poderia ligar o metanol ao Bolsonaro. Afinal, até a gestação da Marlene, minha manicure, já foi atribuída ao ex-presidente.

Em Brasília, os partidos da base governista já querem instaurar uma CPMI, achando que isso é um provável atentado ao presidente. E ainda argumentam que o Bolsonaro não foi participar do podcast Café com Ferri porque estava ocupado na adulteração de destilados com metanol.

Contudo, podemos avaliar que a probabilidade de uma dessas garrafas adulteradas cair no Alvorada e causar algum dano ao seu ilustre morador é praticamente nula. Primeiro, porque o habitante do pedaço está sempre viajando. Segundo, por sua imunidade a esse tipo de bebida, pois seu organismo já criou uma crosta espessa que o protege.

Já nós, simples e pecadores mortais, temos que começar um pequeno alambique caseiro, pois não podemos confiar mais em ninguém. Os químicos da sarjeta, que fazem esse processo de adulteração, acham pouco o mal que o álcool causa e ainda dão um plus capaz de transformar um simples pum em um lança-chamas.

Agora estou eu, olhando para o meu bar, criando coragem para decidir se enfrento o Old Parr 18 anos ou se guardo para dar de presente de amigo secreto ao meu chefe. Infelizmente, minha querida sogra não gosta — senão receberia um combo completo: uísque, tequila e vodca. Tudo em uma caixa de madeira talhada à mão, com os dizeres em alto-relevo:
“Eu bebo, sim, e estou vivendo. Tem gente que não bebe e...”

Confesso, ao prezado leitor, que ao saber dessa notícia fiz logo um checklist das bebidas que ingeri nos últimos meses. Para minha alegria, só deu água, Heineken, Heineken, água... Logo abri uma long neck bem gelada para comemorar minha situação financeira. Afinal, se eu fosse político ou sócio de aposentado, ficaria preocupado por ter digerido tantos uísques de idade avançada — principalmente se fossem presente de um ex-presidente.

 

Nota do autor: Este texto é uma crônica de humor. As situações e personagens aqui descritos são fruto de ironia e exagero típicos do gênero. Qualquer associação literal com fatos reais deve ser lida com o mesmo bom humor com que foi escrita.

 

 

Luciano Veiga Fernandes
Enviado por Luciano Veiga Fernandes em 06/10/2025
Alterado em 06/10/2025
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