Humor, ironia
Grãos & Graça
Meu amigo e minha amiga do “Ou Vai ou a Cerca Cai”, hoje o seu servo aqui acordou inspirado. Acho que, se o Newton não tivesse descoberto a lei da gravidade, de hoje não passava.
O leitor pode pensar que isso que eu faço é bobagem, coisa sem futuro para desocupado. E, na verdade, você não está de todo errado.
Contudo, temos que considerar que, muitas vezes, escrevo dividindo minha restrita atenção entre as letras e as panelas. Isso mesmo, meu querido, também assumi essa responsabilidade — não por opção, mas por necessidade.
O Criador tem me ensinado através dos meus próprios atos. É como se eu fosse um autodidata e agora estivesse no capítulo “Humildade”. Porém, sei que ainda falta muito para o lavar pés e beijá-los — não por subserviência, mas por reconhecimento.
A vida nos serve o prato conforme a nossa fome. Quem serve nossa refeição sabe perfeitamente de quantas calorias precisamos para crescer aos olhos do Pai.
Ao mesmo tempo, as letras me castigam mostrando o quanto sou limitado. A Helô Pinheiro poderia ter desfilado exclusivamente para mim e eu jamais teria a ideia do Vinícius — não o Júnior, mas o de Moraes — para transformá-la na Garota de Ipanema.
Com certeza, o Poetinha tirava suas inspirações de deusas como Helô, ao contrário do simples mortal que vos fala, que tira da panela de arroz. Fica difícil ver as curvas da Garota de Ipanema na espuma de um detergente de louça.
Todavia, são essas dificuldades que a vida nos impõe que dão o charme da coisa. É mais fácil começar criando a partir dos grãos de arroz e, depois, chegar à beleza da Garota de Ipanema, do que fazer o caminho inverso e ainda cantar: “Veja que coisa mais linda, mais cheia de graça...”