Humor, ironia
A Régua da Dosimetria – de volta à geometria
A nação está sem noção. E parece que até se orgulha disso. Ainda não entendi como uma manifestação contra a anistia recebe aplausos justamente de quem, um dia, só sobreviveu por causa dela.
Não defendo A nem B — neste galinheiro, quem pia mais alto continua cercado de penas. Já estou velho demais para levantar bandeira; prefiro levantar o controle remoto.
Enquanto o país segue à deriva, podemos escolher entre um McDonald’s no sofá da sala ou mortadela ao som de música nostálgica. Eis a pluralidade brasileira.
Mas confesso que fiquei com pena dos artistas veteranos, expostos à friagem carioca: imunidade política eles têm, imunidade gripal já é outra aventura. Aposto que a maior preocupação não era a plateia, mas sim não perder o horário da sopa nem do remédio das 19 horas.
No Congresso, querem rebatizar a tal PEC da Anistia para “PEC da Dosimetria”. Um nome simpático, quase pedagógico. Assim poderemos comparar o peso de um batom com… bom, com qualquer outra trapalhada parlamentar que valha a régua, ou até mesmo com um cocô em uma poltrona.
Já no capítulo das condenações, vale lembrar: quem pega 27 anos e 3 meses pode acabar com 27 exatos, e quem recebeu quase 9 anos saiu antes de 2. Uma justa paridade, não? A matemática política é mais criativa que escola de samba, quando lhe interessa.
E, claro, surgem sempre os grandes pacificadores: figuras caricatas que parecem saídas de uma peça de teatro — um vampiro, um defunto, um anistiado e até um pé. Isso mesmo, amigo. Um pé… de rico, diga-se; aquele couro, com certeza, é Italiano.
Depois, no cenário digno de sarcófago, veio o discurso oficial: o eterno bla-bla-blá embalado como novidade. O problema é que, deste lado das telas, ninguém engole tão fácil. Temos informações demais para ver quem foram e o que querem ser.