Humor, ironia
Manifesto do Majestoso
Quero fazer um comunicado a todos vocês que me acompanham... quanta pretensão, mas vamos supor que tenha, sim, alguns felizardos que perdem seu precioso tempo lendo as bobagens que eu escrevo. Sendo assim, vou fazer mais uma obra-prima do meu imaginário.
Aviso a todos vocês que, a partir de amanhã, não usarei mais cueca. E não insistam, já foi transitado em julgado.
Você deve estar se coçando para me perguntar: “Ilmo. Luciano, o que levou o nobre colega a tomar essa atitude?” E eu te responderei.
Há muitos anos eu divido com a Zorba o convívio com o majestoso. O bonitão se sentia bem, era acolhido e agasalhado com ternura. Mas chegou a hora dele ter liberdade de escolher se quer ficar do lado esquerdo ou direito, de ter um susto gostoso a cada vez que eu colocar a mão no bolso para pegar a chave do carro e de se fazer notar quando lhe der na cabeça.
Você há de convir que um relacionamento de décadas tem seus altos e baixos, e o nosso não é diferente. Ultimamente, o majestoso está tipo boleto bancário: eu olho para ele e... guardo, pois não tenho como quitá-lo hoje e muito menos amanhã.
Já tornou-se um caso fraternal. Da última vez que olhei para ele, fiquei até comovido, pois estava dormindo, ali, tão indefeso, com um ar depressivo.
Eu sei que ele não teve uma vida fácil. O majestoso era da luta, da batalha. Acordava cantarolando “eu quero me trepar no pé de coco...” e anoitecia assobiando Nosotros.
Já tentei até palavras cruzadas para ver se ele se distraía um pouco, mas ele teve uma recaída, relembrando sua coleção da Playboy. A última garota da revista que o majestoso viu hoje deve estar fazendo propaganda de fraldas geriátricas e de Corega.
Eu poderia tornar essa mudança mais democrática, pedir para vocês deixarem sua opinião sobre se o majestoso fica livre ou volta para a Zorba. E, em agradecimento, ele mandaria uma foto autografada dele na Oktoberfest.