Humor, ironia
Ele te ama… mas não mais que a lasanha (e a sogra bem longe)
Essa crônica tem como único objetivo colaborar com você, minha amiga leitora.
Sim, tudo escrito aqui foi cuidadosamente desenvolvido para facilitar o seu relacionamento com o amado, ou futuro amado. Inclusive, essas informações também são válidas para aquele seu amor que está em processo de retorno. Sabe aquele que Madame Zilka garantiu que voltaria em três dias? Pois é. Aqui estão algumas dicas que certamente vão lhe trazer benefícios e manter o seu “querido” bem pertinho.
Você pode até perguntar:
— Mas, Luciano, como você pode nos garantir o sucesso do seu método?
Ora, as observações a seguir não estão em ordem de importância. Todas são capazes de transformar da água para o vinho e, infelizmente, do vinho para água, o seu tão sonhado relacionamento.
Nós, homens, olhamos para o todo. Lembra da gaveta das meias? Aquela que a gente abre e nunca acha o par que quer? Pois bem... então não se preocupe com a unha do dedo mindinho da mão esquerda que está borrada.
Posso te garantir: nós nunca vamos reparar nesse detalhe. Não achamos uma meia azul-marinho de lã dentro da gaveta. Como poderíamos notar uma falha no seu dedinho?
Quando olhamos para uma mulher, a sequência é sempre a mesma: dentes, bunda, mau hálito, bunda de novo... e depois o checklist mental: pernas, coxas, barriga e cérebro.
Mas basta uma frase para derrubar qualquer veredito:
— Hoje eu fiz uma lasanha, nossa... mamãe adorava. Pena que ela mora em Botucatu.
Pronto. Duas informações que soam como música em nossos ouvidos: lasanha e sogra morando distante. Eis a chave para cativar o seu príncipe encantado.
E fique tranquila: todas as observações colhidas até aqui caem por terra nesse instante. Menos a bunda, claro.
Enquanto ele processa essas informações, vocês mulheres já fizeram um raio-x completo do sujeito. E, convenhamos, odor de cigarro e bebida alcoólica cancelam qualquer pretendente na hora.
Vai outra dica: não caia nessa de “depois eu paro”. Não para, não. Homem é especialista em prometer e não cumprir.
Se fizer uma retrospectiva, vai concordar comigo. Quem foi que falou no seu ouvidinho: “deixa, amor... só um pouquinho”? E o “pouquinho” virou um tantão, não virou?
Aliás, se o seu amor foi do tempo em que se pedia a sua mão ao seu pai, não pense que ele foi sincero ao responder às intenções.
Claro que não!
A vontade dele era dizer: “Minhas intenções são descer a marreta na sua filha, de manhã, à tarde e à noite — igual dose de remédio — e, lógico, entrar no seu inventário.”
Agora, vamos falar do convite para sair. Quando o teu amor te chamar assim, de repente, não precisa pedir horas para se embelezar.
Se ele te chamou nesse improviso, é porque já te acha linda como você está. Uma camiseta, um shortinho, uma rasteirinha... cabelos presos ou soltos... para um encontro à tarde, isso basta.
Se você demorar demais, eu confesso: a vontade passa. Aquele brilho da surpresa se dilui na interminável espera. Por isso, amiga, esteja sempre de sobreaviso. É assim que se desfruta de horas maravilhosas.
E já que estamos falando de encontros, vale um alerta: se ele chega para ir ao cinema com camisa de time de futebol, corte logo.
Se você deixar, vai virar uniforme. E, por mais linda que você esteja, sempre vão pensar que estão indo assistir a Fluminense e Bangu.
Agora, um ponto sensível: o futebol das quartas-feiras. Muitos de nós temos esse compromisso com os amigos.
Beleza, você não gosta. Então marque um compromisso com as suas amigas no dia seguinte. Logo ele abandona a ideia do jogo e, sem demonstrar, passa a torcer para você também largar esse compromisso.
Queridíssima leitora, vou te confessar uma coisa... Nós também sabemos fingir. Não pense que é um privilégio só seu.
Não, sinceramente, não é.
Não imagine que ir para o aniversário de um ano do filho do primo Alberto seja um prazer para o seu amor.
Mas ele vai, sorridente, porque estar ao seu lado — até nesses eventos — vale mais do que qualquer pelada de quarta-feira.
Embora, sejamos sinceros, a hora de cantar os parabéns seja mais aguardada por ele do que pelo próprio aniversariante.
Entre promessas, gavetas de meias e aniversários do filho do primo Alberto, a verdade é só uma: eles nunca mudam tanto quanto dizem.
Mas se ele te olha do jeito certo, aceita seu improviso e ainda aguenta cantar parabéns fingindo entusiasmo... ah, amiga, segura esse homem. Porque milagre maior do que esse nem a Madame Zilka garante.
E, no fim das contas, o amor não está em achar a meia certa... mas em topar usar o par que a vida colocou na mesma gaveta.
This column has one sole purpose: to help you, my dear reader.
Yes, everything written here was carefully crafted to make your relationship with your beloved—or future beloved—easier. These tips also apply if your love is in the process of coming back. You know, the one Madame Zilka promised would return in three days? That’s the one. Here are some suggestions that will certainly benefit you and keep your “darling” close.
You might even ask:
— But Luciano, how can you guarantee the success of your method?
Well, the following observations aren’t listed in order of importance. Each of them has the power to turn water into wine—or unfortunately, wine into water—in your long-awaited relationship.
We men look at the whole picture. Remember the sock drawer? The one we open and never find the pair we’re looking for? Well… don’t worry about the nail on your left pinky being smudged.
I can guarantee: we’ll never notice. If we can’t find a single navy wool sock in a drawer, how could we possibly spot a flaw on your little finger?
When a man looks at a woman, the sequence is always the same: teeth, butt, bad breath, butt again… then mentally we run through our checklist: legs, thighs, belly, and brain.
But just one sentence can overturn any verdict:
— Today I made lasagna. Oh… my mom loved it. Too bad she lives in Botucatu.
Done. Those two pieces of information sound like music to our ears: lasagna and a distant mother-in-law. That’s the key to winning over your prince charming.
And don’t worry: all the judgments he made just moments ago go out the window. Well… except for the butt.
While he’s processing that, you’ve already run a full background check. And let’s be honest: smoke smell and alcohol? Instant deal-breakers.
Another tip: don’t fall for the “I’ll stop later” trick. Don’t. Men are experts at making promises they don’t keep.
If you look back, you’ll agree. Who whispered in your ear: “Just a little, babe”? And that “little” turned into a whole lot, didn’t it?
And if your love comes from the time when you had to ask your father for permission to marry, don’t think he was sincere when he said his intentions were honorable.
Of course not!
What he really wanted to say was: “My intentions are to hammer on your daughter morning, noon, and night—like a prescribed dose of medicine—and, of course, get into your inheritance.”
Now, let’s talk about going out. When your love invites you suddenly, don’t spend hours getting ready.
If he called you on a whim, it’s because he already thinks you’re beautiful as you are. A t-shirt, shorts, flip-flops… hair up or down… perfect for a casual afternoon outing.
If you take too long, I confess: the spark fades. That glow of spontaneity disappears in endless preparation. So, my friend, always be ready. That’s how you enjoy wonderful hours together.
And speaking of outings, here’s a heads-up: if he shows up to the movies in a soccer jersey, cut it off immediately.
Leave it, and it becomes his uniform. No matter how beautiful you look, he’ll still think he’s going to watch Fluminense vs. Bangu.
Now, a sensitive topic: Wednesday night soccer. Many of us have that commitment with friends.
Fine, you don’t like it. So schedule something with your friends the next day. Soon he’ll abandon the soccer idea, and without admitting it, hope you drop your commitment too.
My dear reader, let me confess something… we know how to fake it too. Don’t think that’s a privilege only you have.
Nope, honestly, it isn’t.
Don’t imagine that attending the one-year-old’s birthday party for cousin Alberto’s kid is a joy for him.
But he goes, smiling, because being by your side—even at these events—is worth more than any Wednesday night game.
Although, let’s be honest, the moment of singing “Happy Birthday” is probably more anticipated by him than by the birthday kid.
Between broken promises, sock drawers, and cousin Alberto’s birthday, the truth is simple: they never change as much as they say.
But if he looks at you the right way, accepts your improvisation, and still manages to sing “Happy Birthday” with enthusiasm… oh, my friend, hold onto that man. Because no miracle greater than this—even Madame Zilka—can guarantee.
And in the end, love isn’t about finding the right sock… it’s about being willing to wear the pair life put in the same drawer.