Humor, ironia
Adeus, Café São Luís
Um dia acordei e tive que dar adeus ao Café São Luís. Não, não foi por dieta. Foi porque a vida achou que eu precisava de emoção — e nada emociona mais do que perder tudo de uma vez só.
Passei a mão nas máquinas como quem acaricia cachorro que vai ficar com o vizinho. Respirei fundo o cheiro do café torrado e pensei: “Pelo menos aqui o grão vai ser bem tratado, melhor que eu.” Dei até um tchauzinho para a mesa de trabalho, aquela que conhecia mais meus cotovelos do que qualquer travesseiro.
Saí andando sem rumo, tentando manter a pose de adulto firme, mas com vontade de deitar no chão e chorar igual criança que deixou o picolé cair. Um coquetel de vergonha, fracasso e desilusão caiu sobre meus 28 anos — e olha que eu nem tinha bebido nada.
Dez anos depois, o destino repetiu a piada. Carro? Foi-se. Casa? Adeus. Sonhos? Viraram fumaça. Sobrou eu, chorando mais que cebola cortada.
Hoje, aposentado, continuo colecionando lágrimas… mas pelo menos aprendi que café não se perde: ele se reinventa em pó, cápsula ou até solúvel. E eu também.