Humor, ironia
Quem tem... tem medo
Ai, meu amigo, disposto a pagar a passagem de Maduro para o Brasil. Pois o nosso “governo” tinha planos de trazer o bondoso senhor da Venezuela para o seio da nossa pátria mãe gentil — bota gentil nisso.
A operação, de nome IMERI, ia salvar o narcotraficante e passar um recibo para o mundo da grandeza do nosso país. Dizem, pelos cantos do Planalto, que estão fazendo uma vila só pra colocar os parças. Seria a Vila Pó de Mico, ou quem sabe Cala-te Boca... Ainda não decidiram, mas uma coisa é certa: todos os moradores são socialistas de carteirinha, com um detalhe... eles só pegam no que é deles quando vão fazer xixi.
A vila já recebeu a peruana Nadine Heredia, uma pacata e dócil senhora que foi condenada pelo simples ato de receber uns trocados de uma certa empreiteira brasileira. Pasmem os senhores: uma pena extremamente severa, quinze anos por um ato bobo desses. Enquanto aqui no Brasil, “golpistas”, com batom e tudo, pegaram apenas dezessete.
O que eu gosto muito é dos nomes dados a essas operações. A Imeri se refere a uma serra que divide o Brasil do Paraíso — digo, da Venezuela. Também poderia chamar-se: Operação Vem Cá Meu Querido, Operação Carreirinha, Operação Nariz de Ferro, Operação Vergonha Nacional, Operação Quem Tem Cú Tem Medo...
Esses acontecimentos vão revelando como estamos atolados na sujeira moral e ética. O instinto de sobrevivência, o medo de que os seus atos sejam revelados, leva um país inteiro ao descrédito mundial.
Agora, meu querido amigo e amiga, vamos imaginar como seria a vida na Vila Cala-te Boca.
Maduro, de camisa colorida, bermuda e chinelo, conversa com Nadine, de bob’s e lenço na cabeça, num vestido solto, que ela segura pela barra para o vento não levantar e deixar à mostra a heredia dela.
Madurão:
— Companheira Nadi, estou querendo abrir um alistamento militar para formar uma guarda bolivariana aqui do Cala-te Boca, para fazer a segurança nossa e dos pouquíssimos bens que temos aqui.
Nadine:
— Carece não. Aqui nós estamos seguros. Veja, caro colega Bigodudo: o homem aqui tava preso e virou presidente, e mais, o ex-presidente virou preso. Agora, se você está pensando em dar um “golpe” e fazer desse... sei lá o quê... uma grande Venezuela, aconselho procurar os meios legais.
Maduro:
— Sou doido não. Isso aqui não é um país sério. Tem um bocado de político de oposição falando asneira e ninguém faz nada. Se fosse em Caracas... ah, se fosse! Tava tudo “tranquilinho”. Esse tipo de povo a gente não pode dar confiança. Dá a mão, eles querem o pé. Dá 10%, eles querem 20%.
Nadine:
— Tem razão. Pra você ver: o piloto que me trouxe pra cá, por sinal um péssimo voo, ainda me levou um colar de diamantes que foi presente de Humalinha. Pois se não entregasse, ele desviaria para Buenos Aires.
Maduro:
— É difícil. Aqui até pra cortar o cabelo é uma luta. Vem uma pessoa querendo fazer degradê nas minhas madeixas e estreitar o meu tradicional bigode até ficar parecido com o do finado Adolf Henrique... Saudades, el hermano!
Nadine:
— Não sei se o vizinho está sabendo de um bafafá que está rolando... Dizem que o Petro está de mudança pra cá. Parece que já comprou a casa M19. Uma bela escolha. É isso mesmo: dinheiro é pra gastar com coisas boas, senão evapora igual a pó.
Maduro:
— Que boa notícia. O Guga é uma excelente pessoa. Amante da paz. Adora o verde. Viveu muitos anos acampado curtindo a natureza.
No mundo reservado do Cala-te Boca, a vida passa silenciosa. Exceto aos domingos, quando rola um churrasco — que ninguém sabe quem pagou — ao som do pagode Os Cabulosos.