Humor, ironia
A Revolução da Chupeta
Vi recentemente postagens nas redes sociais sobre mais uma provável moda. E, caro leitor, é o absurdo da loucura.
Já acompanhamos de tudo: a calça boca de sino, os tamancos de madeira e os gloriosos cabelos black power. Vimos a ascensão e a queda do coquetel de camarão, do creme de galinha e até do canapê de pão de forma, que minha mãe jurava ter inventado.
Passei ileso por todas essas fases e acreditava estar preparado para qualquer nova tendência. Superei os bonecos reborn e até o famigerado morango do amor. Mas a moda da vez me derrubou: a chupeta. Sim, você leu certo. A gloriosa chupeta. Também conhecida como Bubu, Consolo e aí descamba para terminologias chulas, mas deveras importante, tipo — Pepeta.
Dias atrás, minha mulher me mandou uma foto de um homem de terno, gravata... e chupeta. Foi como se dissesse: “Pronto, agora comenta isso.” Pois cá estou.
Imagine a cena: eu, todo alinhado, perfume do Boticário (o Calvin Clair já não me pertence), entrando faceiro no shopping. Tudo certo, se não fosse o detalhe da chupeta azul na boca — porque, claro, azul é cor de homem.
Na praça de alimentação, o confronto:
— Boa noite, Sr. Luciano. Não estava reconhecendo o senhor — disse Neide, minha atendente de sempre.
— Deve ter sido o novo corte do cabelo — respondi.
— Não, acho que é pela chupeta. Vai no de sempre ou começa com um gagaú? — disparou ela.
Forcei um riso, mas no fundo percebi: era inveja da minha liberdade em exibir o Bubu.
Falar com a chupeta não era tarefa simples. A cada resposta eu precisava retirá-la da boca, e aí vinha a surpresa: a danada piscava e tocava um sininho, como quem dizia “uso incorreto!”. Tecnologia chinesa, sempre pensando em tudo.
Na mesa ao lado, uma jovem avisava o namorado:
— Se você aparecer com chupeta, me esqueça. Aqui só quem coloca Bubu na boca sou eu.
Uma senhora simpática puxou papo:
— É do netinho?
Mal terminei de rir e fui abordado pelo segurança:
— Senhor, retire a chupeta. Algumas crianças que já tinham largado o hábito voltaram a chorar querendo as suas de volta.
Claro que não obedeci. Isso é moda! Um conceito novo, um lifestyle: mastigar borracha em público. Quero ver se fosse um político ou jogador de futebol. Aposto que ninguém ousaria mandar tirar a pepeta da boca.
Na saída, ainda tomei multa: não tinha estacionado no espaço exclusivo para portadores de chupeta.
E o dia terminou no semáforo, quando um motoqueiro gritou:
— Tá mamando, vovô?
— Se meta a besta que eu te enfio essa chupeta no fresado! — respondi, apontando para a outra chupeta. Sim, exatamente a que você pensou.
Cheguei em casa. Minha mulher, sábia como sempre, resumiu:
— Agora você entende por que não fui com você ao shopping.
E eu, iludido, achando que era porque ela não tinha chupeta. Mas não tem problema. Amanhã cedo compro uma pra ela. Quero ver a desculpa