Humor, ironia
A troca improvável
O amigo sabe que eu deixei meu celular ir dar uma voltinha de Uber, né? Se não sabe, veja a crônica que escrevi sobre o tema.
Pois bem, saí para comprar outro aparelho. Mas, antes, consultei o “banco dos órgãos” para ver qual dos meus ainda estava disponível. Resultado: depois de algumas horas, volto para casa de relógio novo... mas sem celular.
Foi aí que começaram as perguntas da minha mulher.
Ela: Ué... cadê o celular?
Eu: Caríssimo, amor. E olha que era um simples, daqueles que já vêm sem nada: sem fio, sem carregador... igual aos carros modernos que vêm com estepe de bicicleta. E ainda teria que comprar capinha e película.
Ela: Mas isso já faz parte. Bem, amanhã eu vou com você e escolhemos um bom.
Tentei mostrar meu troféu:
Eu: Mas eu comprei este relógio. É um legítimo Bulova...
Ela: O quê? Você saiu pra comprar um celular e volta com um relógio de pulso, Luciano? Veja, ninguém mais no mundo usa relógio.
Eu: Essa não! O Cristiano Ronaldo usa, sim. E é um Bulova igual ao meu...
Ela: Tem só uma diferençazinha: o Cristiano pode comprar milhares de celulares e relógios. Você, agora, só vai comprar o celular quando terminar de pagar a merda desse relógio.
Ela: Mas ele marca batimentos cardíacos, quilômetros...
Eu: Não, amor, mas é à prova d’água! Aguenta até três mil metros de profundidade.
Ela: Homem de Deus, aonde você vai debaixo d’água a essa profundidade? Pra você bastava um palmo! Ou você agora vai fazer mergulho em águas profundas, é?
E cá estou eu, meus amigos: de relógio no pulso, olhando as horas de cinco em cinco minutos e mergulhando o bicho dentro de um copo d’água pra testar a vedação. Fica lá, igual a uma dentadura de velho descansando.
Mas veja pelo lado bom: meus dois últimos celulares eu perdi. Quero ver se um relógio de pulso eu consigo perder.