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A Professora que Ensinava até no Dia do Aniversário

Todo mundo tem uma professora ou professor que marcou a vida. Às vezes não foi só pelas aulas, mas pelo jeito único de lidar com os alunos, pela paciência (ou pela bronca na hora certa) e, principalmente, pelos gestos simples que nunca saem da memória. No meu caso, essa lembrança tem nome e sobrenome: Professora Almira Amaral.

Eu tive uma professora que marcou muito a minha vida — e, com certeza, a de todos que tiveram a sorte de cair na sala dela no terceiro ano primário do Marista de Natal.

A professora Almira Amaral, primeira Irmã Marista do Brasil, além de paciência tinha coragem em grande quantidade. Não lembro o dia exato do seu aniversário, mas recordo muito bem dos seus avisos com bastante antecedência:

— Atenção, dia 20 é o meu aniversário. Vou levar todos vocês para lanchar lá em casa. Importante: não precisa trazer presente. Avisem às mães de vocês que não é para trazer presente.

Esse lembrete era martelado em nossas cabeças uma semana antes do grande dia. Em casa, surgia sempre o conflito: eu querendo seguir a ordem da “Pro” Almira (como ela queria ser chamada) e minha mãe, ocupada, tendo que me explicar que aquele pedido não era bem o que parecia.

— Meu filho, pela última vez, Luciano José (quando estava pegando ar, ela sempre acrescentava o José), ela falou que não é pra levar presente, mas você e todos vão levar.

Eu, com meus nove anos, argumentava:

— Mas, mamãe, e se aparecer só eu com um pacote na mão?

— Não vai, meu filho. Todos os seus colegas vão levar... pode ter certeza.

— E o lanche, mamãe? Ela disse que não era pra levar. Então eu levo?

— Não, Luciano José, o lanche não é pra levar.

— Então ela estava mentindo só na lembrancinha, mas falou a verdade no lanche. Foi isso?

— Mais ou menos isso, meu filho.

— E como a senhora sabe que ela mentiu no começo e falou a verdade no fim?

— Chega. Pelo amor de Deus. Você quer ou não quer ir lanchar na casa dela?

— Quero, sim. Ela falou que era pra lanchar todos na casa dela. Mas o presente não era pra levar...

Pode acreditar: nesse dia minha mãe fez questão de me entregar pessoalmente nas mãos da Pro Almira.

— Professora, quero lhe ver e confirmar a presença de Luciano no lanche do seu aniversário. Mas me faça um favor: diga aqui pra esse rapazinho que, se vier um presente, até por educação, a senhora vai receber.

— Claro, Lúcia... Luciano, se por acaso vier com um presente eu vou receber com muito gosto.

No grande dia, todos chegaram à sala de aula com um presente para a Pro Almira.

Na hora do intervalo, em fila indiana, partimos para a casa dela, que ficava em uma rua ao lado do colégio. Cachorro-quente e refrigerante nos esperavam. Todos retornamos felizes e de barriguinha forrada.

Porém, mais feliz ainda ficou a Pro Almira com seus trinta e sete presentes.

 

 Na foto: a professora Almira Amaral e o diretor, Irmão Arthur. Eu sou o primeiro à sua esquerda, na última fila (a fila dos bonitos).

Luciano Veiga Fernandes
Enviado por Luciano Veiga Fernandes em 19/08/2025
Alterado em 08/09/2025
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