Humor, ironia
E eu que continuo com essa mania de ajudar os outros...
Você deve estar pensando: que coisa linda essa mania do maluco do “Ou Vai ou a Cerca Cai” tem. Que coração generoso. Né?
Mas, meu amigo, não é bem generosidade. Só um completo idiota cobriria um santo e descobriria outro.
Ontem deixei meu celular em um Uber, e ele acompanhou a motorista sem se despedir. Talvez tenha se apaixonado pela moça — essas coisas de amor à primeira vista acontecem. Porém, desligar qualquer contato comigo, que o alimentei por tantos meses, é decepcionante.
Quando dei pela falta, pensei: ele deve ter ficado em casa, afinal, quem gostaria de ir ao supermercado e ainda por cima no aperto de um Kwid? A ilusão foi se desfazendo ao chegar em casa e constatar que ele se foi. Deve agora estar tomando uma cervejinha gelada com o pessoal que bate aquele papinho cabuloso.
O preocupante é que o defeito está em mim. No ano passado, outro celular, que eu tinha como um filho, resolveu ficar na calçada de um pet shopping. Eu até entenderia se fosse no calçadão de Copacabana ou na Quinta Avenida, mas numa calçada suburbana de Natal... realmente, foi muito triste.
Agora minha mulher quer que, no próximo — se houver próximo — eu amarre um cordão nele e a outra ponta no meu pulso.
— Amor, não é possível... definitivamente você tem que voltar para as fichas de orelhão. Porque se perder é barato.
Agora, meu querido leitor e minha querida leitora, vocês podem até me falar: Não se preocupe, Luciano, vão os anéis e ficam os dedos.
Mas é que já estão levando os meus dedos, e o meu medo é que levem também a minha esperança.