Humor, ironia
Todo mundo sabe que eu sou aposentado. Sim, e dos legítimos — daqueles que colaboraram com algum sindicato sem nem saber. Mas tudo bem. Vejo isso como uma doação para os necessitados do Sindicato dos Princípios Éticos e Morais (SINDPEM).
Bom, meu amigo, aconchegue-se no seu assento favorito e veja se eu estou ou não com a razão.
No dia 10 de julho de 2023, dois dias após completar a idade mínima para a tão sonhada aposentadoria, já havia solicitado meu benefício. Beleza, a resposta veio rápida — como quem espera mais um para contribuir com a ceita.
E eu, inocentemente feliz, fazia planos para aproveitar o tempo livre. Acostumado ao ritmo do trabalho, fazia tudo como se as horas fossem determinantes no meu dia a dia. Porém, com o tempo, fui percebendo que eu tinha — e muito — ele próprio... o tempo.
Isso mesmo, amigo, eu tenho tempo pra tudo — e posso provar: são 9h23 de uma quarta-feira e eu estou aqui escrevendo esta crônica. Quer prova maior do que essa? Então toma mais uma...
No domingo, tive a infeliz ideia de fazer a minha agenda da semana. E, querido leitor e querida leitora, as únicas obrigações que eu tinha eram: segunda, quarta e sexta-feira, colocar o lixo pra fora.
Essa grande atribuição não me toma mais de 10 minutos, pois moro em uma casa e a lixeira fica a oito passos do meu portão.
Hoje, ao fazer essa simples — mas importantíssima — tarefa, pensei: E se eu for até a Urbana e pedir pra levar meu próprio lixo até o aterro? Hein? Não seria uma boa sacada? Teria toda a manhã e parte da tarde ocupadas — e ainda prestaria um serviço à minha querida cidade do Natal.
Já estou me vendo fazendo um requerimento ao presidente do órgão e, em uma solenidade, ganhando meu uniforme completo, com luvas e botas.
Entretanto, essa ideia eu nem cheguei a apresentar para minha mulher, já imaginando a resposta:
— Homem do céu, quando é que você vai parar de pensar merda? Eu aqui achando que você está tramando algo útil e você me vem com seus delírios... Vá, pode ir — e leve também o lixo dos vizinhos! E se quiser algo mais pesado, te sugiro o lixo hospitalar.
Bem, meu querido leitor, enquanto não me vem mais uma ideia brilhante, sigo escrevendo crônicas e contos — e me pegando com o Santíssimo — para que você leia e comente. Assim, terei mais ocupação. Vou reler seu comentário várias vezes, inclusive lendo as palavras de trás pra frente. Vou responder e te colocar num canto especial do meu coração.
Abraços e beijos.
P.S.: Estou de saída para comprar um quebra-cabeça de 30 mil peças.