Humor, ironia
À procura das ideias perdidas
Minha cabeça está branca como Omo Total Radiante… nos últimos dias, nem uma ideia pinga por aqui. As ideias e intuições parecem que foram sancionadas e calaram-se — ou então partiram para terras do tio Sam.
Não sei se vão voltar, e confesso ao amigo leitor que já procurei um daqueles profissionais que trazem sua amada em até três dias, para ver se pode interceder por mim junto a esse, digamos assim, departamento de retorno forçado.
Talvez elas tenham resolvido seguir os passos dos jornalistas que preferiram trocar a feijoada por um belo McDonald's, diretamente na fonte.
Lá, podem escolher o molho e o acompanhamento sem medo de ferir os brios do cozinheiro — e ainda pagar com seu próprio cartão de crédito.
Estou me planejando para, caso elas não voltem, tentar enveredar no mundo político. Afinal, esses requisitos — e muitos outros — não são fundamentais para o desempenho das obrigações inerentes ao cargo.
Basta você falar difícil, afirmar que vai apurar e que tem a consciência tranquila, fazer birra, soltar bravatas pelo ar e beber uma para tomar banho e almoçar.
Agora, meu querido amigo leitor e leitora, e se elas voltarem e eu estiver metido nisso?
Posso te afirmar com certeza: elas não vão querer me ver com esse tipo de trabalho insalubre.
O jeito vai ser pedir uma licença e usar isso como moeda de troca, caso elas queiram se rebelar novamente.
Contudo, ainda resta uma esperança: sou um bom homem, um aposentado bonitão e cheiroso, que não gosta de pagode nem tampouco de funk, responsável e com uma conta bancária que sobrevive apenas um dia após o recebimento do meu benefício...
Mas o que vai trazê-las de volta é essa ironia e esse humor que corre nas minhas veias — e isso, ah, isso eu sei que elas não resistem.