Humor, ironia
E se as sanções da Lei Magnitsky, por engano, caírem sobre a minha pessoa?
"Fernandes, Luciano, sofrerá morte financeira..." — fala sorridente o âncora do jornal das 23h, com aquele tom grave, porém satisfeito, típico de quem anuncia uma tragédia alheia como se fosse previsão do tempo.
Kkkk, de novo! Gente do céu, vocês querem matar quem já está morto! Cortar meus cartões de crédito? Nem precisam se preocupar — as operadoras já cortaram há muito tempo.
"Você ficará impedido de ter conta em banco."
Desculpe, meu amigo, a última conta bancária que eu tive foi no Banco do Estado do Rio de Janeiro — e uma poupança no Bamerindus, que jurava ser um banco do futuro.
"Seus bens localizados nos Estados Unidos serão confiscados, bem como suas aplicações financeiras e sua participação em qualquer sociedade, além de não poder viajar em companhias aéreas americanas."
Gente, vocês estão falando com LUCIANO! O único bem que eu tenho está na segunda gaveta da cômoda: uma foto autografada dos palhaços Patati e Patatá.
Agora me diga: essa restrição é só das companhias aéreas ou a Viação Cometa também entrou no pacote?
Porque, sempre que posso, eu pego ela pra ir a Teresina curtir as férias.
E participação em empresas? Eu não participo nem da vaquinha da ceia de Natal que minha família faz! Quanto mais de empresas...
Eu participo, sim, de vez em quando, de um jogo de dominó com os amigos na praça — e, olha, posso até deixar de ir. Agora, disso sim eu participei: da criação dos meus filhos. E, graças a Deus, pelos esforços deles, podem até visitar o Mickey levando um cartão American Express.