Humor, ironia
Ou Vai Ou a Cerca Cai: Crônicas com Humor
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Tambaba, Fita no Bilau e outras Confissões.

Foi um domingo inesquecível. Confesso ao amigo que relutei bastante antes de aceitar e criar coragem de passar um ensolarado dia na praia de Tambaba. Tudo bem, pra quem já gosta de frequentar uma praia de nudismo, mas eu, que tomava banho de camiseta Hering, apresentar ao vivo e a cores meu lindo corpo esculpido por um artista grego cego era um desafio muito pesado.

A primeira informação que me veio à cabeça foi saber a proporção dos frequentadores masculinos e femininos, para saber se, além do mar, teria algo mais interessante para apreciar. Também, na minha cabecinha, já estudava um local na praia para sentar. Pensava: perto de um canto instagramável me parecia proporcionar uma vista compensadora.

Porém, nesse tipo de praia, a maneira de sentar influi bastante e vem repleto de dúvidas: e se eu deixo as bolas muito perto da areia e vem uma maria-farinha e belisca? E se fico a favor do vento e meu boné voa, como vou apanhar... me ajoelho e apanho, vou descendo lentamente como se estivesse dançando na boquinha da garrafa, ou simplesmente me agacho e torço para não ter uma água-viva pronta para dar vida ao finado?

Tudo era dúvidas, receio de fazer feio, pois todo homem ali presente quer fazer bonito — ou melhor, torná-lo bonito. Pensei: será que posso colocar um laço de fita ou um pequeno sino para realçar e dar um diferencial na marreta?

Contudo, passando em minha cabeça, me vem algo assustador. Com essa moda de harmonização facial, mulheres deixando os lábios tipo boca de assobio, esticando pelancas pra todos os lados... como está essa nova fase das periquitas? Será que acompanharam as modernidades da estética? Será que mudaram tanto que eu não vou mais reconhecer? — bem, meu amigo e minha amiga leitores, essa era uma questão que somente in loco iria esclarecer.

Bom, parti para a praia, já devidamente equipado com um binóculo e uma toalha transparente. Na entrada, uma entrevista mostrava a seriedade do local:

— O que você espera encontrar em Tambaba? — pergunta o instrutor de nudismo.

— Pretendo encontrar minha mãe que veio pra cá em 1986. — respondeu um carioca sorridente.

— E você, paulista?

— Vim ajudar o carioca a encontrar a mãezinha dele.

— E você, do laço de fita no bilau?

— Promessa. Vim pagar uma promessa para Iemanjá.

Passada a entrevista, as portas se abrem e aquele lindo mar, com ondas calmas, uma leve espuma branca flutuando ao vento e refrescando uma imensa quantidade de bundas, silicones e algo que eu não sabia identificar... parecia um cururu tetei, um crocodilo de boca aberta, uma boca assobiando na vertical... bem, até hoje não soube identificar.

Lá pras tantas, resolvi comer um queijo coalho feito na brasa para acompanhar a cervejinha. O vendedor, muito atencioso, coloca o fogareiro na areia e, curvando-se, coloca na grelha dois lindos espetos de queijo, ao mesmo tempo em que suas bolas ficam defumando e um suave aroma de queijo e ovos vaga na agradável brisa.

Um casal de gringos ainda comentou, surpreso:

— Ovos com queijo? Nunca vi isso. Se fosse pelo menos bacon...

Eu só pensei: se eles soubessem de onde vem o defumado...

Bem, querido amigo leitor, já registrei aqui minha vontade de fazer mergulho em águas profundas, escalar o Everest, mas infelizmente não concretizei minha ida a Tambaba. Entretanto, o laço de fita e o sino foram comprados — e posso lhe repassar por um valor bem interessante. Pois, eles só foram usados em uma festinha que o Ronaldinho Gaúcho fez na cobertura do menino Ney.

 

 

 

 

 

 

Luciano Veiga Fernandes
Enviado por Luciano Veiga Fernandes em 27/07/2025
Alterado em 27/07/2025
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