Humor, ironia
O mês que se avizinha vem trazendo aquele véu cinza da incerteza. Alguns acontecimentos já são aguardados, mas muitos outros virão como um combo que trará, como tudo na vida, alegria para uns e desespero para outros.
E como esquecer que foi em agosto que os Estados Unidos — logo eles — lançaram as duas primeiras bombas atômicas da história? Que coincidência, não? E parece que agora vão lançar mais algumas, embora em forma diferente: contra um “inimigo” frágil, raquítico, completamente sem noção do que o espera, se continuar esperneando como criança no chão de um shopping.
Desta vez, a bomba vem em forma de porcentagem, de cancelamento, de aniquilação total das finanças de alguns. Contudo, como em Hiroshima e Nagasaki, as consequências não escolhem lado: caem sobre todos. Quem apoiou ou não o “Imperador” vai conviver com a radiação da queda de uma nação que seria do futuro — mas um presente mal construído obstruiu seus sonhos.
E não para por aí: foi também em agosto que o Muro de Berlim foi erguido. O muro da vergonha. O muro dos “nós contra eles”. O muro que dividiu o progresso em retrocesso, a liberdade em opressão, as mentiras em verdades.
Mas o muro também serviu para nos mostrar o contraste entre os dois lados da vida. Quando, em novembro de 1989, os alicerces da hipocrisia não suportaram mais o seu peso, ele caiu. E mostrou que houve uma migração acentuada do mal para o bem, do atraso para o progresso, da opressão para a liberdade.
No próximo ano, teremos eleições. E elas podem ser — quem sabe — a queda de um novo muro. Um que permita o surgimento de um Brasil forte e, sobretudo, único em propósitos e diverso em pensamentos e palavras.
Agosto também foi o mês em que, em 1963, Martin Luther King Jr. proferiu as palavras que marcaram gerações: “I have a dream”. E qual de nós, brasileiros, não tem um sonho?
Aqueles que estão além-mar, os presos de janeiro, seus parentes, os filhos menores, os arruinados financeiramente, os assaltados, os enganados, os usurpados, os bloqueados e os excluídos. Todos temos um sonho. Porém, por aqui, é mais provável se ter um pesadelo do que um sonho — pois a noite é escura e assustadora.
Foi também em agosto que o ex-presidente Getúlio Vargas escreveu sua carta derradeira, afirmando: “Saio da vida para entrar na História...”. Preferiu a morte a perder o inebriante poder.
Hoje, políticos se agarram aos seus mandatos como quem luta pela própria sobrevivência. Mudam de lado de acordo com as conveniências financeiras, esquecendo que estão ali porque nós os colocamos lá. Não espero que nenhum deles escreva cartas de despedida. Espero que, nas eleições de 2026, eu mesmo possa despedi-los — e sem carta de apresentação.
E já que estamos falando em despedidas presidenciais, em 31 de agosto de 2016, um impeachment pôs fim ao “governo” Dilma Rousseff. Sem carta, graças a Deus, mas com um rastro de destruição financeira que, curiosamente, a levou à presidência de um banco. Acredite se quiser.
Pois bem, meu amigo leitor e minha amiga leitora, aqui está uma pequena retrospectiva de agosto. Podemos ver que há para todos os gostos. Só nos resta torcer para que esse mês, que leva o nome em homenagem ao imperador romano Augusto César, não nos force a dizer:
Ave, Agosto. Os que vão falar te saúdam.